RECONHECER JEAN WYLLYZ? NEM MORTA, FILHA.

Por eu mesmo:

 

Às vezes, confesso que dá uma vontade danada de deixar passar, de fingir que não vi, que o negócio nem é comigo; mas tem certas coisas tão absurdas que eu não resisto. Posso até me arrepender depois; posso estar semeando palavras ao vento -contrário; mas, nem que seja só para ajudar a deixar evidente o espírito –de porco- desses tempos rombudos, vamos lá…

 

Dia desses, um cara postou uma singela homenagem a Jean Wyllys, parabenizando-o por ter sido eleito uma das “50 personalidades da diversidade em todo o mundo” pela revista The Economist. O título do post do rapaz era: “Ele é um político que não rouba o Tesouro Público. Só por isso já merece o reconhecimento de todos os brasileiros”.

 

É claro que contestei o moço; é claro que ele não gostou da contestação. Daqui a alguns parágrafos mostrarei nosso cordial diálogo; mas antes, algumas considerações sobre o nível de indigência moral e intelectual a que chegamos.

 

Antes de mais nada, acho importante refazer a trajetória política do valente Jean Wyllyz, doravante denominado JW (seu nome tem dáblius, ípsilones e zês demais; dá muito trabalho ficar escrevendo essa cacofonia de letras estrangeiras. Será isso algum nome de guerra?). Como é notório, JW estreou para o grande público participando daquele notório programa filosófico da Globo (sim, aquela mesma Globo, tão odiada e combatida pelos esquerdistas companheiros de JW. Santa contradição, Batman!), o edificante Big Brother. JW venceu o programa; ao que consta, a “confissão” de sua homossexualidade e a “perseguição” por ele sofrida na casa global lhe valeram o prêmio de um milhão de reais. JW se recusa a dizer o que foi feito da grana, e eu fico aqui me perguntando se o agora deputado, socialista, teria socializado a bolada…

 

Terminado o BBB, JW cumpriu o périplo comum a todos os “brothers” e “sisters”: participou de programas de auditório na Globo, da Turma do Didi, até se “consagrar” como repórter no programa da… Ana Maria Braga. Só não sei se posou nu; talvez tenha faltado convite.

 

Convencido de que se tornara famoso o suficiente, e satisfeito pelos relevantes serviços prestados à sociedade na condição de vencedor do BBB e ex-repórter da Ana maria Braga, JW acreditou ser o momento de contribuir ainda mais para o engrandecimento do país; calcado nas milhões de ligações computadas para ganhar o BBB, lançou sua candidatura a deputado federal. O raciocínio poderia até ter uma certa lógica; porém, o cálculo não estava exatamente correto; JW obteve míseros 13 mil votos, insuficientes para dar-lhe a tão almejada vaga no Congresso Nacional. Entretanto, por conta de uma das maiores excrescências do processo eleitoral brasileiro, o malfadado “voto de legenda”, JW acabou se elegendo na aba de outro candidato do seu partido, o PSOL, partido do “socialismo e liberdade”, oximoro capaz de fazer Jorge Luis Borges corar de inveja. Portanto, lá está o rapaz, confortavelmente aboletado no cargo de deputado federal. No qual, segundo o seu apologista, devemos-lhe reconhecimento por não roubar o dinheiro público. Hum…

 

Um deputado federal recebe atualmente salários de R$ 33.700,00. Sim, você leu direito: trinta e três mil e setecentos reais. Ou seja, 42 salários mínimos. Ou seja, JW recebe mensalmente, de salário, o que um trabalhador comum leva três anos e meio para ganhar. “Mas, espere; não é só isso”, diria aquela propaganda da Polishop! Além do salário, JW tem direito a auxílio-moradia de 4,2 mil reais, verba de gabinete no valor de 92 mil mensais, passagens aéreas e plano de saúde. Cada deputado federal custa ao brasileiro, em média, cerca de 170 mil reais por mês. E o valente JW não acha que eles, os deputados, ganham muito…

 

Sim, até entendo que, nestes tempos de bandalheira escancarada, não “roubar” o dinheiro público quase chega a ser uma qualidade num parlamentar; porém, não me peçam para achar que alguém que custa aos combalidos cobres brasileiros a montanha de dois milhões de reais por ano esteja me fazendo algum favor, porque ele, definitivamente, não está!

 

Reconhecer JW porque ele não “rouba” dinheiro público?! Ah, faça-me o favor! Ele até pode não se locupletar ilegalmente com verbas públicas; mas nisso ele não faz mais do que sua obrigação! Quanto à sua atuação parlamentar, aí é que o negócio degringola de vez!

 

Conforme já disse acima, o título do post elogioso ao despenteado deputado era: “Ele é um político que não rouba o Tesouro Público. Só por isso já merece o reconhecimento de todos os brasileiros”. Pois bem: como achei que o motivo era insuficiente para me obrigar a reconhecer JW, retorqui (eu e essa minha boca enorme…). Questionei se o fato de não roubar verbas públicas dava a JW o direito de ser desonesto, autoritário e ignorante (Sim, é verdade que peguei um pouco pesado…). O admirador de JW me pediu que apontasse as provas da desonestidade de seu deputado predileto, de preferência, apontando os processos judiciais a que JW estivesse respondendo. Apontei que a desonestidade de JW é intelectual, na medida em que, na defesa de sua causa, omite fatos e usa de falácias para convencer seu público. O Admirador, então, me ameaçou com processos judiciais por calúnia e difamação caso eu não me retratasse por minhas afirmações…

 

Bem, sr. admirador de JW, apesar de ter me formado na melhor faculdade de Direito do meu Estado, sempre fui um péssimo aluno; nem sei como cheguei ao final do curso. Estão aí os professores Gustavo Varela Cabral e Américo Bede Junior, entre outros, para confirmar; porém, basta uma rápida consulta ao Código Penal (artigo 138) para saber que o ilícito penal denominado calúnia consiste em “imputar a alguém fato definido como crime”. Ora, até onde eu saiba, a desonestidade ainda não está tipificada no Código Penal. Quanto à difamação, até pode ser…

 

Sabemos que JW e seus pares acabaram de criminalizar a opinião com essa absurda lei do direito de resposta –aliás, outra coisa que o democrata JW e seus pares socialistas adoram é uma censurazinha-; se ele quiser me processar, poderá contratar um bom advogado com os mais de 33 mil reais mensais que os meus impostos pagam a ele; ou talvez seu partido disponha de um corpo jurídico do qual ele possa dispor. Quanto a mim, serei obrigado a recorrer a um defensor público. Mas vejamos o diálogo no qual eu teria caluniado e difamado o nobre congressista (por motivos óbvios, omito a identidade do meu interlocutor:

 

 

Paulo Marreco JW é desonesto em absolutamente tudo quanto fala. Só um exemplo: é desonesto quando, falando sobre intolerância religiosa, menciona fatos isolados praticados por algum imbecil ignorante contra religiões afro, mas se esquece de comentar a perseguição promovida a alguns pastores por membros do movimento glt, que cercam locais de culto e promovem baderna e arruaça nas portas de templos, cerceando o direito de culto das pessoas ali reunidas. Lembrando ao nobre amigo que a desonestidade pode ser intelectual e se manifestar da forma acima descrita. Segundo Arthur Schopenhauer, para que haja um debate honesto é preciso que os debatedores estejam dispostos a encontrar a verdade, mesmo que ele esteja do outro lado; JW não quer encontrar a verdade, quer impor sua obscura visão de mundo ao restante da coletividade; por isso é autoritário; por isso foge de qualquer debate com quem quer que seja (a carraspana que levou de Kim Kataguiri é um exemplo). Acredito que você não “ignore” estes fatos; talvez apenas concorde com o “nobre” deputado BBB.

Curtir · Responder · 2 · 7 de novembro às 12:42

 

 

DEFENSOR DE JW Ainda vou ter mais um pouco de paciência contigo, Sr. Marreco: CADÊ A “DESONESTIDADE” e as “PICARETAGENS” que o Sr. falou? Até agora, falou de religiosidade. Isso eu não discuto, pois é como discutir Meteorologia, Astrologia, Simpatias. Cada um com suas crenças. Quero saber aonde o sr. viu um processo contra o deputado Jean Wyllys por desonestidade ou picaretagem. Ou o Sr. RETIRA o que disse sobre estes dois temas ou o Sr. estará sujeito a acusações de calúnia e difamação. O Sr. tem ou não tem provas de “desonestidade” e “picaretagem” por parte do deputado??? Desonestidade e picaretagem é o que se tem visto entre os acusados na Operação Lava-Jato, no Petrolão, no Mensalão, no Tremsalão de S. Paulo. O Sr. tem algo semelhante a apontar sobre o deputado Jean? Se não tem, SAIA FORA DO MEU FACE e pare de acusar pessoas de bem apenas baseado em suas convicções religiosas.

Curtir · Responder · 1 · 7 de novembro às 15:09 · Editado

Paulo Marreco Fico grato e lisonjeado pela deferência de ter paciência comigo, Sr. DEFENSOR DE JW; vou tentar me fazer entender novamente; o sr. é uma pessoa inteligente, creio que será capaz disso. A questão, ao contrário do que o Sr. falou, não é de RELIGIÃO; é de PRINCÍPIOS. Se JW OMITE dados para fortalecer seu argumento e tentar vencer um debate, ele está sendo DESONESTO. Quando JW afirma que é intolerância um religioso afirmar que homossexualismo é pecado, mas que um homossexual enfiar um crucifixo no r… no ânus é manifestação artística e liberdade de expressão, ele está sendo extremamente DESONESTO. Conseguiu compreender agora? Desonestidade não é só meter dinheiro público no bolso; desonestidade é usar argumentos falaciosos para ludibriar a opinião pública. E o botão de bloqueio é a serventia da casa, meu caro; faça uso dele quando quiser.

Curtir · Responder · 2 · 7 de novembro às 16:23

 

DEFENSOR DE JW Paulo Marreco O Sr. Cunha deve estar felicíssimo da vida de encontrar um teórico da honestidade como o Sr., Sr. Marreco. Afinal, então tá liberado usar Cristo como biombo pra todo tipo de ação. Agora, não está liberado denunciar a religião como a coisa mais opressora já inventada pelo homem. Ora, pedi ao Sr. UMA, E APENAS UMA, DENÚNCIA DE DESONESTIDADE E PICARETAGEM do querido jornalista, intelectual, professor e deputado e o Sr. me vem com conversinha, TERGIVERSAÇÃO (SABE O QUE É ISSO?). Nem responda mais, já vimos quais são as suas VERDADEIRAS ÍNDOLE E INTENÇÃO. Sai fora, pega a BR, que aqui é papo de gente que não rouba nem o Tesouro Público e nem a INGENUIDADE DO POVO. E quer viver como Jesus queria, encontrar Jesus? Dê um tiro na sua cabeça. Não tente ficar dando tiro na cabeça dos outros. Isto, sim, é que é desonestidade intelectual.

 

Uau!

 

A razão pela qual essa turma enfia Eduardo Cunha em qualquer debate, tentando assim desacreditar seu oponente, nem chega a ser um mistério; Schoppenhauer explica. A religião é a coisa mais opressora inventada pelo homem? Será que ele se refere também as religiões afro, as quais JW defende, ou vale apenas para o Cristianismo?

 

O amigo e fã de JW tenta me intimidar com o que ele imagina serem palavras difíceis. Leio cerca de 50 livros por ano. Entre meus autores favoritos estão Borges, Dostoievski e Faulkner; acredite, não tenho medo de palavras difíceis. E, por acaso, conheço o significado de tergiversar; mas continue tentando; adoro conhecer palavras novas.

 

Reparem que, no final, ele recomenda que eu meta uma bala na cabeça. Que conselho singelo!

 

Eis o tipo de tolerância que a seita wyyyllllyyyyana demonstra, principalmente quando se defronta com cristãos. Por que será que essa turminha é tão cristofóbica?

 

Como mencionei lá no início, eu deveria deixar esse negócio de lado; mas, após o atentado em Paris, o incorrigível JW veio a público manifestar sua opinião de “intelectual”. Leiam abaixo:

 

  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov O fundamentalismo religioso e o fascismo que ceifaram vidas em Paris também são reproduzidos aqui.

 

  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov Nesses países, o fundamentalismo e o fascismo religiosos usam a máscara do Islã para perpetrar sua violência contra os “infiéis”.

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  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov Em países ocidentais (no Brasil e nos EUA em especial), eles usam a máscara das religiões cristãs.

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Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov

  1. Aqui, a comunidade de LGBTs é vítima dos discursos de ódio de alguns líderes religiosos e políticos de igrejas cristãs.

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Eis o nível moral e intelectual dessa gente.

 

Sinto muito, sr. Ardoroso Defensor de Jean Wyyyyllllyyyyyzzzz, o seu “querido intelectual”; mas eu só tenho três palavras para descrever quem compara líderes cristãos com terroristas islâmicos, assassinos covardes de pessoas inocentes:

Desonesto, pilantra e picareta.

 

Reconhecer um sujeito que profere imbecilidades como esta? Como dizia o Didi Mocó, “nem morta, filha”.

 

Agora pode correr lá para contar ao seu amiguinho.

 

 

 

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IN PRAISE OF SHADOW

DEREK

 

Uma vez que o nosso humilde bloguinho vem recebendo inúmeras visitas de habitantes dos EUA e Canadá, vamos prestigiá-los com o primeiro post em inglês da (nossa) (breve) (e, espera-se, longa) história. Crônica em homenagem ao surfista capixaba Derek Rabelo, cego.

Originalmente publicada com o título ELOGIO DA SOMBRA.

By Paulo Marreco (sim, eu mesmo).

 

(Title borrowed from a poem by Borges)

 

Democritus from Abdera had torn off his own eyes to think better, says the old legend; the Greek philosopher wanted to avoid the distractions the world was showing him through his eyes, these windows of our soul. Jorge Luis Borges, the brilliant Argentinian writer, gradually lost his sight, in a slow twilight that endured for half a century, according to his own elegant words. Blind, he gave the world verses that I personally consider simply sublimes; but what do I know about poetry…

 

“A writer, or every man, must consider that everything that happens to him is a tool; all things were given him for a purpose”, said Borges, the blind.

 

Derek gets up from bed every day surrounded by an imageless fog; he wakes in that “dark world and wide” of John Milton, that other famous blind man. Derek wakes up, grabs his surfboard and goes his way. Yes, Derek is blind too. Yes, Derek is a surfer. As the Hawaiian Derek Ho, former world champions of surfing. Is name a destiny? Maybe, sometimes…

 

In his daily, uninterrupted darkness, he paddles out to face the waves. When he challenges the ocean, he changes his own future. He falls into the sea without seen what is just about to come. He is all legs, arms, lungs, heart. Courage.

 

He feels the smoothness of the water on his skin, feels the cold touch that emerges from the deep of the world flows over him. He hears the roar from the ocean, the rumbling waves exploding around him, everywhere; hear the sporadic croak of a seagull. With his hand he touches the rough surface of his board, the only thing that keeps him off from the abyss. His lips tastes the salty water, his nose aspires the strong smell of the sea mist. He feels, listens, touches, tastes, smells; but he doesn’t see. A blind man at the sea. Is he lost? No way: found. Happy. At his perfect place, at his exact center.

 

By instinct, yet in his early youth, Derek seems to had already discovered something that many wise men takes their whole lives to found: peace at the adversity, serenity facing the (once again, Borges) unbreakable iron chains (not aways) of the cause-effect plot that makes the fate of the universe. Derek lives in peace and happiness; instead of mourning his role in this inevitable plot, he transforms it. He fits. He sees (he lives) the world with other eyes; those eyes that only the blinds have.

 

I end turning to Borges, my favorite writer. To him, the tragic events, the suffering, the difficulties “were given to us in order to transmute them, to make, from the miserable circumstances of our lives, eternal things, or that aspires to be”. That is Derek’s way trough life.

 

But, is he a good surfer? That is, definitively, the least important thing; in a certain sense, Derek is the best surfer in the world.

 

 

 

 

 

 

TRIBUTO AOS DINOSSAUROS

DINO

 

Por eu mesmo:

 

Eles estão entre nós. Caminham sobre a terra, imponentes; infestam os mares, intocáveis, eternos. Sua presença é notável, ainda que não se saiba ao certo de onde vieram, nem a qual período histórico pertencem; menos ainda, sabemos suas idades. Mas sabemos que ainda estarão aqui por muito, muito tempo, e o registro de sua passagem ficará gravado na memória das gerações futuras.

São os dinossauros do surfe. Certamente você já se deparou com algum deles. Talvez, distraído, não tenha notado as marcas do tempo em seus costados; talvez não tenha reparado nas cicatrizes, resultado de épicas batalhas contra o oceano, contra a vida; não percebeu as rugas, as manchas, a escassez de pelos, uma certa lentidão que começa a insinuar a vitória do tempo sobre a força; nem se apercebeu da dissolução gradativa dos músculos outrora férreos. Pode até achar graça nos resmungos sobre dores musculares e hérnias. Mas, não se engane com eles: os dinossauros do surfe ainda são ferozes predadores de ondas; ainda são perigosos gigantes que merecem, se não o medo, o respeito dos novos habitantes do nosso pequeno e quase perfeito planeta chamado Surfe.

Ainda é possível encontrar em seu habitat natural, por exemplo, o lendário Ciccabalosaurus Banestianus, talvez um dos mais antigos espécimes dos exércitos marinhos, dinossauro que, apesar da índole pacífica e pequeno tamanho, ataca inofensivas merrecas ou montanhas de água com o mesmo desassombro.

Encontramos também o famosíssimo Gutobazonius Bocadevelhatops, exemplar que teria sofrido mutações no tamanho de suas nadadeiras para se adaptar aos tempos, e hoje pode ser visto ensinando seus filhotes a encontrar as melhores ondas.

Igualmente Jurássico e não menos notório é o Jabasaurus Bobôpholis, mais encontrado na região do Barrão, dinossauro vegetariano, que deve boa parte de sua longevidade a uma dieta à base de fibras e tortinhas de banana.

É sempre necessário mencionar o ilustre Flavonius Pulgueriuspulgax, dinossauro de proporções avantajadas, cérebro mais avançado do que a maioria dos sáurios e comportamento quase sempre tranquilo, que demonstra preferência por ambientes perigosos como a Belina, onde há menos dinos na disputa pelas fortes ondas.

Impossível não mencionar, entre notórios seres da pré-história do surfe, o temível Nelsondhilus Ferreirasaurus, habitante da Ilha, adversário temível para qualquer oponente de sua época, conhecido pela força das patadas com que costumava destruir as ondas. A rivalidade entre este dino com outro temível surfistodonte igualmente perigoso, o Saulosauro Fidalgus, tornou-se lendária.

O ramo Fidalgus ainda contava com dois outros espécimes, o Bianius Fidalgus, identificável por seu couro branco e pelagem russa e avermelhada; e o mais lendário de todos os dinossauros surfistas, o incrível Gordinhosaurus Rex, de proporções enormes, extinto abruptamente pelo mais vil e desprezível dos seres que já habitaram a terra, o covardosaurus armadus (assim mesmo, com letras minúsculas. Bem minúsculas).

Existem dinossauros mais recentes, do Período Cambriano. Deste período, destaca-se o Gustavogrilodonte, habitante do canto de Setiba, famoso por seu casco de tartaruga e sua capacidade de fala.

Também do Cambriano, o sáurio Marcelofriginius Marmitosaurus, temido entre seus contemporâneos pela crueldade com que tortura suas pobres vítimas, arrancando-lhes os dentes sem misericórdia, cerimônia ou anestesia.

Como não mencionar o antológico Antonioaugustus Lopesmarinsaurus, um dino conhecido pelo tamanho do coração, um dos maiores que se tem notícia, do qual tenho a honra de ser amigo?

Bebêmoranguinhosaurus, Coelhosaurus, Cesarius Zoiodebotox, Fernandus Poposaurus, Piuemasaurus, Mauromelus Macacodonte, Edinhus Merrecátops, Biafrasaurus, Claudius Tripasaurus, Renatus Laricacerátus, Delmarus Lonboardrops… A lista de monstrinhos é bastante extensa.

Entretanto, estes seres pré-históricos não são avistados com muita freqüência por estes dias. Não é que tenham desistido da eterna caça às ondas; não mesmo! Sei que eles são insaciáveis devoradores de ondas, não desistirão nunca. É uma questão de sobrevivência. Está nos seus genes, no seu sangue, essa estranha mistura de plasma, hemáceas, plaquetas e água salgada. Procuro por eles quando vou ao Ulé, mas quase sempre é vã minha busca. Desconfio que tenham encontrado algum lugar secreto, algo como um cemitério de elefantes, para onde se dirigem os animais idosos para morrer. Só que estes bichos surfistas são muito mais espertos que os elefantes, e o cemitério que eles descobriram é, na verdade, um secret spot, uma praia desconhecida, distante, como nos tempos antigos, quando as ondas eram fartas e a disputa, menos hostil. Um local que os jovens veloceraptors ainda não conhecem…

E os malandros nem me avisam onde fica o tal lugar! Deixam este pobre Marrecosauro à míngua no meio do perigoso e intenso crowd!

Vou assim, sobrevivendo à duras penas, pegando uma ondinha ou outra que jovens, velozes e vorazes dinos modernos deixam passar, cada vez mais ultrapassado, até o dia de, finalmente, seguir, eu também, para o cemitério dos elefantes. Porém, enquanto este momento não chega, continuarei lutando, buscando um espaço no meio da multidão que infesta nossos mares. Ainda sofrerei mutações em minhas nadadeiras, que ficarão maiores, terão mais borda, adaptar-se-ão às agruras da vida. A disputa ficará cada vez mais intensa, e será cada vez mais difícil conseguir a onda de cada dia…

Mas enquanto for possível surfar uma onda, ainda valerá à pena! Sigamos, jurássicos, mostrando às novas gerações que o amor ao surfe nos mantém vivos e fortes. Que os novos tenham ao seu lado no crowd estes maravilhosos espécimes que abriram todas as portas, desbravaram os picos, ultrapassaram os limites e venceram preconceitos, tornando viável a vida no planeta surfe. Portanto, mastodontes, enquanto ainda não viramos petróleo ou uma nova Era do Gelo não devasta o planeta, sigamos surfando.

E longa vida aos dinossauros!

ANDAR COM FÉ EU VOU

Nem eu tampouco te condeno, disse Aquele que poderia julgar, mas perdoou...

Nem eu tampouco te condeno, disse Aquele que poderia julgar, mas perdoou…

Por eu mesmo:

“Quando, porém, vier o Filho do homem, achará porventura fé na terra?”.

A pergunta do Mestre aos seus discípulos atravessa os séculos e chega até nós.

Quando vier o Filho, achará porventura fé na Terra?

Ou encontrará uma multidão de fariseus especialistas em descobrir mínimos ciscos nos olhos alheios, porém incapazes de perceber a trave que embota a própria vista? Irá o Cristo se deparar com uma igreja misericordiosa, capaz de acolher a adúltera, ou terá que se defrontar com terríveis juízes cheios de ansiosas pedras nas mãos? Aqueles juízes que estavam prontos a fazer justiça contra a mulher pecadora eram os mesmos que se esqueceram -que convenientemente se esqueceram- das próprias transgressões.

Vivemos tempos de templos repletos de inflexíveis inspetores Javert; de implacáveis doutores da Lei, incapazes de compreender, de aceitar a Graça. O personagem de Victor Hugo, contudo, era mais honesto: utilizava para consigo o mesmo rigor absoluto que infligia aos seus prisioneiros; Javert era um verdadeiro adorador da Lei; Javert, por não tolerar que a Lei deixasse de ser aplicada, mesmo que contra ele próprio, tirou a própria vida. Nós, por outro lado, costumamos exigir que os outros sejam tratados com o mais extremo rigor, sem nem ao menos perceber que podemos incorrer em erros tão, ou não raro mais, terríveis quanto aquele que condenamos em outrem; e, quando eventualmente percebemos nossas próprias faltas, corremos para a Cruz em busca de perdão. De Graça. Com uma frequência assombrosa nos esquecemos de que “com a mesma medida com que julgarmos, seremos julgados”.

“Ame ao próximo como a ti mesmo”, ordenou Jesus; o amor com que os cristãos se amassem uns aos outros seria a marca da presença do Filho de Deus entre eles. Ora, quem ama a si mesmo quer se ver perdoado; amar ao próximo como a si mesmo implica em desejar para ele o mesmo perdão que você um dia recebeu do Pai…

Não sabemos quando se dará o glorioso Advento; porém, enquanto aguardamos ansiosamente a volta Daquele que enxugará de nossos olhos toda lágrima, que nossa vida possa refletir o imensurável amor de Deus. O amor que perdoa.

E, sobretudo, lembremos sempre que não somos nada além de “velhos pecadores salvos pela Graça”.

“A METAMORFOSE” COMPLETA CEM ANOS

Um senhor livro.

Um senhor livro.

Por Leandro Reis. Na Gazeta:
Em setembro de 1912, Franz Kafka (1883-1924) varou a noite escrevendo um conto chamado “O Veredicto”. Começou e terminou de um fôlego só e, depois de colocar o ponto final, sentenciou em seu diário “descobri como tudo pode ser dito”. Dois meses depois, o tcheco aplicaria o novo estilo na novela “A Metamorfose”, obra que entraria no Olimpo das mais importantes da história da literatura. Concebido em apenas vinte dias, o livro mais conhecido e estudado de Kafka completou no último mês cem anos de lançamento.
A vida breve do autor não o impediu de legar obras de valor inestimável. Em pouco tempo de ofício literário – sua primeira publicação foi em 1908 –, escreveu, entre outras histórias, “Um Artista da Fome”, “A Colônia Penal”, “O Processo” e “O Castelo”. O jorro final de Kafka parece antever sua morte precoce, aos 40 anos, vítima de tuberculose, um autor no auge de seu entendimento estético.
Mas ele seria conhecido e de fato admirado – o prêmio que recebeu em 1915 não significou seu sucesso – apenas depois de sua morte. Sua obra póstuma é extensa, ao contrário dos livros publicados em vida, apenas dois além deste agora centenário: “O Veredicto” e “O Foguista”. Muito do que Kafka escrevia ficava enterrado na gaveta, em grande parte devido à sua insegurança.
Se não fosse pelo amigo Max Brod – a quem o autor confiou a tarefa de queimar todos os seus escritos após sua morte, obviamente não cumprida –, não conheceríamos por exemplo “O Processo”, para muitos sua obra-prima. Solitário, Kafka chegou a noivar quatro vezes, mas nunca levou as relações adiante.
Parcela de introspecção e falta de tato com o mundo foi consequência da relação dura com o pai, caracterizado como um “tirano” na pesada “Carta ao Pai”, escrita por Kafka em 1919 à guisa de acerto de contas (com si mesmo, visto que com o pai nunca se reconciliaria), abordando de forma clara os conflitos já indicados nos livros de ficção.
A obra
Em “A Metamorfose”, Franz Kafka também aparece engessado, mas parte de uma espécie de parábola. Seu protagonista Gregor Samsa acorda “de sonhos intranquilos” na cama, transformado em um inseto gigante. Ele se pergunta: “O que terá acontecido comigo?”.
A pergunta é logo isolada. Embora esteja metamorfoseado em uma barata, Gregor Samsa transfere sua preocupação para o trabalho de caixeiro viajante, cuja função exige que acorde cedo e faça as malas às pressas a fim de pegar um trem.
O homem-inseto, apartado de seu ofício, desespera-se. Kafka, a exemplo de Samsa, foi trabalhador de grande responsabilidade, galgando cargos em uma empresa de seguros. Por isso, o trabalho aparece de forma sufocante na obra, sempre como prioridade – Samsa não se importa com o funcionamento do próprio corpo, e sim com a mobilidade restritiva e trato social nulo que aquela nova forma de vida o impõe.
O estilo, duro e claustrofóbico, converge com as tensões da Primeira Guerra Mundial, a poucos anos de distância. Também corrobora o destino de Samsa: diante de uma transformação grotesca, sua família, uma convenção para Kafka, o rejeita. Isto é, elimina um parasita, que, livre da prisão social, deve morrer.

FRAGMENTOS

Capa de Tulipa Negra, de Dumas

Capa de A Tulipa Negra, de Dumas

Por Alexandre Dumas:

É muito raro que, no momento oportuno, se ache ali, sob a mão de Deus, um homem superior para por em prática uma grande ação, e é por isso que, quando por acaso se dá esta combinação providencial, a história registra rapidamente o nome desse homem escolhido e recomenda-o à admiração da posteridade.

Mas quando o diabo se intromete nos negócios humanos para arruinar uma existência ou derrubar um império, é muito raro que não ache logo à mão algum miserável a cujo ouvido não seja preciso dizer mais do que uma palavra, para que este imediatamente meta mãos à obra.

MARRECOS MIGRAM PARA O NORTE – LARGADOS NO CENTRAL PARK!

 

 

Dá pra montar uma barraca e ficar por aqui?

Dá pra montar uma barraca e ficar por aqui?

 

Por eu mesmo:

Seguindo nosso roteiro, iríamos conhecer a Catedral de Saint Patrick, o Museu de História Natural e aquele que é, ao lado do Empire State Building, um dos mais icônicos símbolos de Nova Iorque: o Central Park.

Como estávamos muito cansados pelas extensas caminhadas dos dias anteriores e, além disso, o Central Park ficava a uma distância razoável do “nosso” apartamento, decidimos ir de metrô.

O metrô de NY é meio sujo e malconservado; porém, mantém um certo charme. Como estes belos painéis feitos de pastilhas de cerâmica.

Os belos painéis de pastilhas de cerâmica do metrô de NY.

O metrô de Nova Iorque, apesar de meio sujo e malconservado, mantém seu charme graças a detalhes como os belos painéis indicativos da estação, feitos de pastilhas cerâmicas, e algumas bonitas entradas de estações. Entretanto, alguns trens carregam em seus vagões marcas como as da foto abaixo. Marcas que nós, brasileiros, conhecemos muito bem… Quando vi aqueles sinais, perguntei ao rapaz ao meu lado, um oriental, com pinta de estudante, o que seria aquilo. Após retirar os fones de ouvido e finalmente perceber as marcas, ele argumentou que alguém poderia ter dado pancadas na porta. Como as marcas eram profundas e a porta me pareceu bastante sólida, questionei se ele achava que poderiam ser tiros. “I don’t know”, ele disse; “it is possible. I mean, this is a crazy city”…

Mais uma noite tranquila no metrô de NY...

Mais uma noite tranquila no metrô de NY…

 

Sim, Nova Iorque pode ser realmente uma cidade muito louca; é até possível que algum maluco tenha efetuado disparos na porta de um vagão do metrô. Sem falar na questão racial: segundo meu anfitrião Yardi, é preciso evitar determinados bairros nos quais os brancos não são bem vindos, e onde gangues disputam o domínio das ruas. E, é claro, não podemos jamais esquecer o terrível 11 de Setembro. Contudo, e apesar de tudo, a sensação de segurança ao caminhar na cidade é indescritível. Olhar ao seu redor e ver magotes de turistas manuseando tranquilamente suas câmeras fotográficas é algo quase surreal para nós, brasileiros, tão -mal- acostumados aos nossos mais de 40 mil homicídios anuais por armas de fogo, aos arrastões na orla de Copacabana, aos sequestros relâmpagos, às saidinhas de banco, aos roubos com facas. Numa entrevista recente, o cineasta José Padilha, atualmente radicado em Los Angeles, Califórnia, resumiu de maneira dramática a situação do Brasil:

“O Brasil perdeu a sensibilidade para o absurdo. A cidade do Rio de Janeiro é a barbárie. Outro dia me deu vontade de chorar. Estava lá no jornal a foto de um médico morto, na Lagoa Rodrigo de Freitas, a facadas, para roubar a bicicleta dele. Duas semanas antes, o marido da minha irmã estava andando de bicicleta na Lagoa e foi esfaqueado, roubaram a bicicleta, e ele passou a noite no hospital. Tenho outro amigo, arquiteto, cujo filho sofreu a mesma coisa. Vamos fazer um paralelo: é como se a gente estivesse no Central Park, em Nova York, e as pessoas que estão andando de bicicleta fossem esfaqueadas. Sabe o que ia acontecer? Ia fechar o Central Park, ia ter quinhentos policiais, não ia acontecer. Porque o sujeito que está em Nova York consegue ver o absurdo, a gente não consegue mais ver o absurdo.”

Muitos de nossos compatriotas criticam os Estados Unidos por inúmeras razões; e o país, obviamente, não é perfeito. Contudo, depois que um brasileiro conhece a realidade de uma nação desenvolvida e compara com a sua própria, então começa a perceber o quão longe a nossa pobre, violenta pátria amada está de se tornar uma verdadeira… pátria.

Mas deixemos essa melancólica reflexão político-filosófico-existencial para outro post: agora é hora de conhecer o…

CENTRAL PARK!

O Central Park é um delicioso oásis verde no coração da selva de pedra. A legenda é brega, mas o parque é massa!

O Central Park é um delicioso oásis verde no coração da selva de pedra. A legenda é brega, mas o parque é massa!

Uma das incontáveis estátuas que adornam o parque.

Uma das incontáveis estátuas que adornam o parque.

Por incrível que pareça, o nome Central Park não é aleatório nem figurativo: o parque, com seus impressionantes 341 hectares atuais, fica realmente no centro da ilha de Manhattan. Inaugurado em 1857, com projeto de Frederic Law Olmsted e Calvert Vaux, vencedores de um concurso para desenvolvimento da obra, é o primeiro parque público dos EUA; viveu fases de abandono durante a Depressão dos anos 1930 e, posteriormente, a mais grave, a partir dos anos 1960.

A bucólica paisagem do Central Park

A bucólica paisagem do Central Park

Durante duas décadas, sofreu a deterioração de seus equipamentos e instalações por conta da do acúmulo de lixo, da falta de manutenção, do vandalismo -que incluía deploráveis e horrorosas pichações-. O parque deixou de ser frequentado por pessoas comuns, transformando-se em reduto de marginais e usuários de drogas. De principal centro recreativo da cidade, o Central Park passou a ser uma ruína perigosa e sem lei. Porém, em 1974, a partir de um estudo de gerenciamento encomendado por George Soros e Richard Gilder, a história do parque começou a mudar; criaram-se um Gabinete Executivo com autoridade plena e um Conselho de Guardiães do Central Park, a fim de supervisionar o planejamento e as políticas aplicadas em relação ao parque; assim, a sociedade civil, ou seja, o cidadão comum, passou a ter participação na administração de um parque público.

Belo lago.

Belo lago… Opa! Olá, primos!

Esta revolucionária parceria público-privada, através da injeção de capital de entidades privadas, possibilitou a maravilhosa recuperação do Central Park; a partir de então, mais empresas e indivíduos investem dinheiro no local. Hoje, o Central Park é um orgulho para a cidade e seus habitantes, e se transformou num delicioso e pacífico ambiente, repleto de vegetação, lagos, pontes, arcos, trilhas, estátuas -tem até um zoológico!- que proporcionam aos frequentadores momentos de relaxado prazer.

Esse aí é o Balto, um dos huskies que cruzaram o Alaska transportando soro para combater uma epidemia de difteria. Grande Balto!

Esse aí é o Balto, um dos huskies que cruzaram o Alaska transportando soro para combater uma epidemia de difteria. Grande Balto!

Eu e ela, ela e eu.

Eu e ela, ela e eu.

Descansando. Ah: não é proibido pisar na grama...

Descansando. Ah: não é proibido pisar na grama…

A mais bela paisagem novaiorquina.

A mais bela paisagem novaiorquina.

Uma das bucólicas passagens do Parque.

Uma das bucólicas passagens do Parque.

Cercado de prédios por todos os lados, o central Park é uma ilha verde no coração de Manhattan.

Cercado de prédios por todos os lados, o central Park é uma ilha verde no coração de Manhattan.

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL

Ao lado do Central Park fica um dos museus mais famosos -já está ficando monótono dizer isso, mas é verdade- do mundo, o American Museum of Natural History, cenário inclusive de sucessos de Hollywood, como Uma noite no Museu. Suas réplicas de baleias, elefantes, leões, dinossauros, fósseis, índios; suas miniaturas perfeitas de tribos, embarcações e cidades; e outras atrações reais, como a Estrela da Índia, a maior safira do mundo, distribuídos em assombrosos quatro quarteirões, são um prato cheio para a criançada, e divertem os grandinhos também.

A fachada do Museu. Cadê o Ben Stiller?

A fachada do Museu. Cadê o Ben Stiller?

Sessão dos dinossauros...

Sessão dos dinossauros…

Réplicas perfeitas ou animais empalhados? Dúvida...

Réplicas perfeitas ou animais empalhados? Dúvida…

As maquetes do Museu são sensacionais!

As maquetes do Museu são sensacionais!

Outra maquete...

Outra maquete…

Réplicas fidedignas do ambiente natural das espécies.

Réplicas fidedignas do ambiente natural das espécies.

A ala dos dinossauros é uma das preferidas da criançada!

A ala dos dinossauros é uma das preferidas da criançada!

DINO

Pausa: em NY cabem todas as crenças. Essa aí é a maior sinagoga em território americano. "Ame ao próximo como a ti mesmo", diz a inscrição na porta. Vale para todos os credos...

Pausa: em NY cabem todas as crenças. Essa aí é a maior sinagoga em território americano. “Ame ao próximo como a ti mesmo”, diz a inscrição na porta. Vale para todos os credos…

Saindo do Museu, descemos a 5ª Avenida para dar uma olhada nas suas lojas mais famosas. Ali estão todas as grifes que você possa imaginar!

Vai um Armani aí?

Vai um Armani aí?

Pensei em trocar meu Timex de 90 reais por um Rolex, mas o vendedor não quis dar troco...

Pensei em trocar meu Timex de 90 reais por um Rolex, mas o vendedor não quis dar troco…

A 5ª Avenida concentra uma série de pontos turísticos; dentre eles, a deslumbrante Saint Patrick’s Cathedral…

A imponência da Saint Patrick's Cathedral

A imponência da Saint Patrick’s Cathedral

 

Mais de perto...

Mais de perto…

A catedral, uma das maiores dos EUA, foi construída em 1878, no terreno que estava destinado originalmente a ser um cemitério. Com sua fachada em mármore branco, é considerada a mais bela construção neogótica da cidade.

Suas portas de bronze pesam nove toneladas!

Suas belas portas de bronze pesam nove toneladas!

Dentro da catedral, que tem capacidade para 2.800 pessoas, há uma quantidade incrível de esculturas, relevos, altares, além de um majestoso órgão de mais de 7 mil tubos!

A catedral abriga belíssimas peças de arte sacra...

A catedral abriga belíssimas peças de arte sacra…

 

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…altares…

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O portentoso órgão.

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A bela Pietá, do escultor americano William O. Partridge.

A bela Pietá, do escultor americano William O. Partridge.

Depois de relaxarmos no Central Park, conhecermos o Museu de História Natural, admirarmos as vitrines chiques na 5ª Avenida e conhecermos a deslumbrante Catedral de Saint Patrick, adivinha o que nós fomos fazer? Se você pensou: andar mais um pouco, acertou na mosca. Firmes em nosso propósito de só voltarmos para “casa” na hora de dormir, voltamos até a Times Square para comprar os ingressos para o show da noite, novamente com 50% de desconto (hoje era dia de Les Misérables); tarefa cumprida, circulamos mais um pouco.

Uma coisa curiosa sobre Nova Iorque é que você pode ter, literalmente, uma surpresa a cada esquina. Por exemplo: estávamos procurando uma lanchonete da Dunkin Donuts (uma das nossas metas de viagem era comer um donut original); de repente, entramos numa rua de… joalherias. Ao que parece, era algum tipo de reduto judeu; ficamos (claro que a Letícia ficou mais) deslumbrados com aquelas vitrines azuladas, repletas de jóias cravejadas de diamantes. Quando paramos diante de uma delas para admirar um pouco as peças, um cara imediatamente me abordou, com aquele sotaque típico dos judeus que vemos nos filmes: “let’s buy a ring for your wife and put a smile on her face. So she will treat you good, cook for you and clean the house with a big smile”. Aí eu respondi que ela já fazia tudo isso; imediatamente ele replicou: “so you must give her a ring, because she deserves it”. Não é à toa que os judeus são ricos: o cara era realmente bom; ele quase me convenceu ! Eu concordei com ele, mas dei uma desculpa qualquer para sair de fininho; o anel mais barato que ele tinha deveria custar todo o meu orçamento para a viagem!

O belo letreiro do Imperial Theatre anuncia a atração da noite.

O belo letreiro do Imperial Theatre anuncia a atração da noite.

LES MISÉRABLES

Acho que já mencionei que nossos planos para esta viagem incluíam dois espetáculos da Broadway: O Fantasma da Ópera e Les Misérables. E, se já havíamos adorado o Fantasma, Les Misérables nos deixou maravilhados!

Aguardando ansiosos o início do espetáculo!

Aguardando ansiosos o início do espetáculo!

Sou um cara emotivo; e, sem a menor vergonha, confesso que chorei várias vezes durante o espetáculo! Como você deve saber, Os Miseráveis é um musical criado a partir da obra prima do mesmo nome, do gigante da Literatura, Victor Hugo. O romance narra a dramática transformação de Jean Valjean, de ex-condenado rancoroso, violento e vingativo, em benfeitor de toda uma cidade, especialmente da pequena Cosette. A despeito de todos os seus esforços para se tornar um homem digno, Valjean sofre com a ferrenha perseguição do implacável inspetor Javert. A ação tem lugar entre a épica batalha de Waterloo e os motins parisienses da Revolução de 1830; o cenário de convulsão social engrandece os intrincados dramas (aliás, drama é o que não falta em Os Miseráveis!) pessoais que a obra de Victor Hugo aborda.

Começa logo!

Começa logo!

A beleza do cenário

A beleza do cenário

Os Miseráveis é um romance repleto de tragédias, de aventura e de comédia; porém, cristão que sou, a obra me emociona mais por se tratar de uma narrativa de redenção: Jean Valjean, o protagonista, é um prisioneiro condenado a remar nas galés durante 19 anos por ter roubado um pão a fim de alimentar seus sobrinhos famintos; liberto, sofre com o estigma de ex-condenado, e é marginalizado e rejeitado por todos; diante da rejeição do mundo, agressivo e amargurado, só pensa em se vingar de todos e em todos pelas injustiças que sofreu; até que sua vida é completamente transformada por um ato de bondade, de graça, ou seja, de um favor imerecido: ao ser novamente preso após furtar a prataria da casa do Bispo Myriel, Valjean estaria fadado a retornar às galés, onde passaria o resto de seus miseráveis dias; porém, ele é surpreendido pelo gesto do Bispo, que, mil e oitocentos anos depois, fazendo reverberar as palavras do Crucificado, concede-lhe a liberdade para começar uma nova vida:

I commend you for your duty / And God’s blessing go with you. / But remember this, my brother, / See in this some higher plan. / You must use this precious silver / To become an honest man. / By the witness of the martyrs, / By the passion and the blood, / God has raised you out of darkness: / I have saved your soul for God.

Este é o momento crucial da existência de Valjean, o ponto a partir do qual sua vida é transformada pelo perdão e pela graça. Javert, por sua vez, é incapaz de reconhecer a graça; ele representa a Lei inflexível: o criminoso/pecador tem que pagar; não há salvação para ele:

He knows his way in the dark / Mine is the way of the Lord / Those who follow the path of the righteous / Shall have their reward / And if they fall / As Lucifer fell / The flames / The sword!

O implacável Javert

O implacável Javert

O Raskolnikóv de Dostoiévski e o Jean Valjean de Victor Hugo são personagens fictícios; porém, multidões de pessoas ao longo da História –entre as quais eu me incluo- experimentaram a mesma mudança redentora. Como a adúltera, ouviram –ouvimos!- a sentença de salvação: “nem eu tampouco te condeno; vá e não peques mais”. Definitivamente, não há como não se emocionar com Os Miseráveis…

 

Master of The House, comandada pelo patife Thenardier, uma das coreografias mais divertidas da peça.

Master of The House, comandada pelo patife Thenardier, uma das coreografias mais divertidas da peça.

Mas, como eu disse, a peça não é somente drama; a comédia fica por conta do dono da estalagem, o impagável Mestre Thénardier, um patife completo que explora seus clientes até o limite do absurdo. O romance fica por conta do relacionamento entre o estudante revolucionário Marius e Cosette, filha adotiva de Valjean. A peça ainda critica a estupidez das guerras através da bela canção Empty chairs at empty tables, na qual Marius, um dos únicos sobreviventes do sangrento combate na barricada da Rue de La Chanvrerie, lamenta a perda dos companheiros de luta, sacrificados em nome de um ideal:

Oh my friends, my friends forgive me / That I live and you are gone. / There’s a grief that can’t be spoken. / There’s a pain goes on and on. / Phantom faces at the windows. / Phantom shadows on the floor. / Empty chairs at empty tables / Where my friends will meet no more. / Oh my friends, my friends, don’t ask me / What your sacrifice was for / Empty chairs at empty tables / Where my friends will sing no more

Ao final do espetáculo, toda a plateia aplaudiu de pé. Merecidamente!

Bravo!

Bravo!

Depois do show, fomos jantar no Olive Garden, dica do amigo especialista em NY, Nelson Porto; ótima dica, por sinal! Nada melhor do que fechar uma belíssima noite com uma boa refeição…

Aguardando ansiosamente nossa refeição no Olive Garden...

Aguardando ansiosamente nossa refeição no Olive Garden…

Valeu a espera. Estão servidos?

Valeu a espera. Estão servidos?

Por hoje é só.

Em breve, nossos últimos dias na Big Apple.

Até lá!