“Eu acredito!”: Mineiro adota o mantra atleticano e se (con)sagra campeão mundial. Contra todas as probabilidades!

MINEIRO

O campeão improvável. Valeu, Mineiro!

 

Por Paulo Marreco:

 

Adriano de Souza, o Mineirinho, não é o melhor surfista do mundo. Existem alguns que estão em um patamar superior a ele: Slater, Fanning, Florence, Medina e Filipinho, só para ficar em alguns, são melhores.

Mineiro sabe disso.

Ele reconhece o maior talento de seus adversários, reconhece a pouca plasticidade do próprio estilo; sabe que outros realizam com menos esforço aquilo que ele penou para aprender, aprimorar, lapidar. Em suma, Adriano conhece as próprias fraquezas, limitações.

Na disputa pelo título mundial, poucos acreditavam no brasileiro. Até porque havia outros brasileiros mais cotados.

Havia Fanning, tricampeão mundial, surfista excelente, atleta formidável, competidor feroz, faminto por mais uma conquista.

Havia Felipe Toledo, jovem fenômeno, talento puro e nato, surfista voador, provável futuro campeão.

Havia Medina, primeiro campeão mundial brasileiro, outra força da natureza.

Sim, poucos apostariam suas fichas em Mineiro.

Mas isso não importava.

Porque ele acreditava.

Muitos surfistas sonham em ser campeão mundial; mas, para o veterano Mineiro, o título era mais que um sonho: era uma obsessão.

Suas armas para conquistá-lo, contra todas as possibilidades, foram uma determinação extraordinária, uma obstinada busca pela excelência, uma preparação física e mental completa, além de um conhecimento pleno das regras do jogo.

Muitos almejam o título mundial; poucos o merecem tanto quanto Mineiro.

Adriano de Souza é a cara do Brasil que pode dar certo: profissional ao extremo, batalhador incansável, atleta dedicado, determinado, ético. Nestes tempos de corrupção desenfreada, Mineiro é um sopro de esperança que renova a nossa fé de que, sim, é possível.

Hoje, Adriano de Souza pode contemplar aquele reluzente troféu em sua estante e sorrir, aliviado, satisfeito com o fruto do seu glorioso trabalho.

Existem muitos excelentes surfistas no mundo; alguns são melhores do que o nosso Mineirinho.

Porém, campeão mundial só existe um.

E ele é Adriano de Souza.

TENHO AMIGOS ESQUERDISTAS

CHE

 

Por eu mesmo:

 

Sim, é verdade. Tenho alguns amigos de esquerda. Alguns conhecidos apenas nas redes sociais; outros, amigos de longa data. Respeito-os a todos; a alguns, admiro bastante; e por alguns deles tenho afeição profunda.

Gente de caráter. Gente íntegra. Alguns, profissionais extremamente bem sucedidos em suas profissões. Empreendedores. Até onde eu saiba, nenhum deles depende do partido para se sustentar.

Gente que deseja um mundo mais justo. Por isso, votaram em Luciana Genro (!!!!) no primeiro turno, e em Dilma no segundo. Convictos de que esta seria a melhor opção para o governo do país. Gente que acha Cuba um lugar melhor do que os EUA.

Quanto a mim, não sei se sou de direita; acredito na defesa das liberdades individuais; acredito nos “valores sociais do trabalho e da livre iniciativa”; acredito que o Estado deve se limitar a prover Educação, Saúde, Segurança e infraestrutura; até compreendo a necessidade dos programas assistenciais, criados, na esfera federal, por FHC, desde que estes ofereçam a chamada “porta de saída”. Em suma: estou bem mais para John Locke do que para Thomas Hobbes, e menos ainda para Rousseau.

Portanto, fico assombrado com a ardorosa defesa que alguns destes amigos fazem do socialismo, como se ele fosse um regime que trouxesse ao mundo a justiça e o bem estar do homem.

Até compreendo sua sede de justiça. Compreendo sua revolta contra a ganância desmesurada. Recentemente, li num artigo que, naquele determinado momento da História, era praticamente um imperativo que Marx escrevesse O Capital; sabemos como o homem, deixado por sua própria conta, pode ser “o lobo do próprio homem”. Todos conhecem a velha anedota sobre a diferença entre ser comunista na juventude e continuar sendo na idade adulta.

Entretanto, não compreendo como, a despeito da realidade, continuam defendendo um sistema que, ao longo da História, resultou em verdadeiros desastres onde foi implantado, assolando populações inteiras, produzindo o nivelamento pela miséria -e os indefectíveis bilionários, amigos do Partido do poder, visceralmente ligados ao Estado- e matando milhões de seus próprios concidadãos. Tudo isso em nome da justiça e da igualdade.

Talvez estes meus amigos sejam apenas um pouco ingênuos; pode ser que o ideal que arde em seus peitos desde a juventude os impeça de perceber que o sistema que defendem não funcionou a contento.

Talvez eles sejam crédulos; mas, aí eu também sou. Ora, bolas: sou um cristão convicto -sim, tenham muito cuidado comigo!-; a fé é uma das premissas da minha existência. Acredito piamente no divino, no sobrenatural. Não; definitivamente, crer não é problema para mim.

Mas o negócio é que eu acredito absolutamente em Deus, mas duvido e desconfio radicalmente do homem. “Enganoso é o coração do homem, e desesperadamente corrupto”, afirmou o salmista há alguns milhares de anos atrás. Desconfio de todo mundo que, em nome do meu bem estar, mete a mão nos meus direitos, restringe as minhas liberdades e tenta controlar até mesmo as informações a que eu tenho acesso.

Como eu já disse, respeito profundamente a opinião destes amigos. O diabo é que, no regime que eu acredito, eles tem total liberdade para expressar seu descontentamento e pregar seu ideal, por assim dizer, revolucionário, ao passo que, no regime defendido por eles, eu estaria preso ou teria sido mandado ao paredón. Ou, como sou um rematado covarde, teria enfiado a viola no saco e me calado sobre o governo.

Talvez estes meus amigos pensem como Luluzinha Genro: o socialismo não deu certo em lugar nenhum porque, na verdade, aquilo não era o verdadeiro socialismo. Talvez nós, brasileiros, criativos como ninguém; nós que inventamos a jabuticaba e a tomada de três furos, sejamos capazes de ter sucesso onde todos os outros povos fracassaram, e o nosso socialismo tropical venha a cumprir todas as promessas de igualdade, fraternidade e tudo o mais, promovidos pelo Grande Irmão Estado.

Pode ser.

Mas, como eu disse, sou desconfiado demais. Além disso, as evidências e os fatos depõem contra esta tese.

Portanto -e com todo o respeito a estes meus amigos-, por via das dúvidas, dentro das minhas parcas forças e enquanto for possível, continuarei resistindo ao regime que eles defendem e pretendem ver implantado no Brasil.

Sem ressentimentos.

P.S.: Como mencionei no início do post, tenho realmente amigos de esquerda; e eu REALMENTE tenho por eles respeito, admiração e afeto. Se algum deles decidir se manifestar a respeito do tema, será bem vindo; assim como a outra banda também pode tocar. Só peço aos eventuais comentaristas que o façam com respeito e civilidade, sem agressões. Comentários desrespeitosos serão deletados sem cerimônia. Sou democrático, mas o post é meu eu faço com ele o que eu quiser.

O INVERNO ESTÁ CHEGANDO…

Por Paulo Marreco (paulomarreco@gmail.com)

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As Crônicas de Gelo e Fogo, série de livros escritos pelo americano George R. R. Martin, é o mais estrondoso sucesso literário dos últimos tempos; a guerra das famílias pelo controle dos Sete Reinos conquistou milhões de ardorosos adeptos ao redor do mundo, dando origem à série Game of Thrones, produzida pelo canal de televisão HBO, igualmente bem sucedida. R. R. Martin é um escritor habilidoso; uma ferramenta utilizada por ele com maestria é o suspense crescente, através de frases lançadas em momentos cruciais, de maneira a gerar no leitor/espectador praticamente uma necessidade de descobrir o que vai acontecer em seguida. Uma destas frases é a que dá título a este artigo: “o inverno está chegando”…

 

“O inverno está chegando” é uma advertência sombria; aponta para tempos difíceis que se avizinham, alerta para uma grave ameaça que paira sobre todos; é um vaticínio acerca do perigo iminente.

 

O inverno está chegando…

 

Ontem (primeiro de dezembro de 2015), Charles Cosac, fundador da Editora Cosac Naify, comunicou que sua empresa estava fechando as portas, depois de quase vinte anos de atuação no mercado literário brasileiro. Segundo ele, a editora encerra suas atividades por não conseguir viver da literatura que publica, apesar dos nomes célebres que compõem seu catálogo.

 

Ora, direis, com tanta empresa indo à falência nestes tempos de crise financeira, por que seria diferente com uma editora? Sim, é fato que a economia está na bancarrota; que vivemos uma recessão aguda, que a inflação está fora de controle, que o governo está quebrado, gasta muito, gasta mal e é absolutamente inepto, que a corrupção se alastrou por todas as esferas administrativas como um câncer dos mais agressivos. Neste ambiente inóspito, é surpreendente que ainda haja empresas que consigam sobreviver; obter lucros, então, parece mágica, um verdadeiro milagre. Sim, tudo isso é verdade, e, infelizmente, muitas empresas ainda devem desaparecer do mapa antes que as nuvens negras se dissipem e o sol volte a brilhar no horizonte econômico. Porém…

 

Porém, o fechamento de uma editora não deixa de ser emblemático. O brasileiro lê, em média, pífios, míseros quatro livros por ano; e, como o que está ruim sempre pode piorar, dos quatro, dois ele deixa pela metade! Em 2007, líamos 4,7 livros em média. Considerando-se que boa parte destes números estão relacionados à religião (a Bíblia é o livro mais lido) e aos estudos (livros didáticos vem em seguida), chegamos`à triste conclusão de que o Brasil é um país que menospreza olimpicamente a leitura como opção de lazer e enriquecimento cultural. Geralmente, em nossos momentos de folga, preferimos qualquer coisa a um livro: assistimos novelas, futebol (nada contra: quando o meu GALO joga, esqueço da vida), vamos a bares, tomoamos cerveja… E, enquanto isso, os velhos Borges, Dostoiévski, García Márquez, Tolstoi, Vargas Llosa, entre outros, ficam lá, abandonados, esquecidos numa fria estante, pobrezinhos. A leitura é tão menosprezada entre nós que um certo ex-presidente chegou a admitir que os livros lhe dão sono, e que, quando eventualmente se aventura a abrir algum volume, nem chega a vencer as primeiras páginas. E o cidadão, que ainda se vangloria de ter vencido na vida sem ter precisado de educação formal, é considerado por muitos um pilar da sabedoria!

 

Como não poderia deixar de ser, a pouca intimidade do brasileiro com a leitura se reflete na educação; o Brasil ocupa o 55º lugar no ranking de leitura do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos). Segundo aquela instituição, quase a metade dos alunos tupiniquins não atinge o nível 2 de desempenho (numa escala que chega ao nível 6!); isto significa que estes estudantes “não são capazes de deduzir informações do texto, de estabelecer relações entre diferentes partes do texto e não conseguem compreender nuances da linguagem” (fonte:http://educacao.uol.com.br/noticias/2013/12/03/pisa-desempenho-do-brasil-piora-em-leitura-e-empaca-em-ciencias.htm).

 

 

Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, afirmou que “um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias”; ora, se dermos crédito ao escritor peruano, e considerarmos que lemos apenas DOIS LIVROS INTEIROS POR ANO, não é difícil concluir que nossa distância dos livros nos torna acríticos, acomodados e manipuláveis. Exatamente o tipo de gente que faz a alegria de políticos e governantes desonestos. Será mera coincidência o nível rasteiro de deputados, senadores e demais representantes que elegemos?

 

O Brasil lê muito pouco; editoras estão fechando as portas; renans, fernandos, eduardos, luízes e josés continuam se elegendo década após década após década.

 

O inverno está chegando…