Fragmentos

GUNTER GRASS A RATAZANA

Sonhei que precisava dizer adeus a cada ideia, nascida

viva ou morta, ao sentido que busca o sentido

atrás do sentido,

e à maratonista esperança também. Adeus ao juro sobre o juro

da raiva acumulada, ao pagamento de sonhos armazenados,

a tudo que está no papel, lembrado em metáfora

como cavalo e cavaleiro que se tornam monumento. Adeus

a todas as imagens que o homem criou.

Adeus à canção, à desgraça rimada, adeus

às vozes entrelaçadas, seis vozes de júbilo,

adeus ao zelo dos instrumentos,

a Deus e a Bach.

Günter Grass, A Ratazana