EU, OS CASSINOS DE LAS VEGAS E A SORTE

cassino

 

Por eu mesmo:

 

AO CONTRÁRIO DO QUE SE POSSA IMAGINAR, cassinos não são ambientes alegres. Em seus enormes salões acarpetados, entulhados de máquinas barulhentas e luminosas, a noite nunca tem fim, o que é uma curiosa ironia, pois a luz do sol jamais penetra estes locais de jogo. Deve haver algum sentido oculto nisso, porém eu sou obtuso demais para decifrá-lo…
Obviamente, há alguma alegria e risadas esporádicas nos cassinos, provenientes das mesas onde os eflúvios do álcool já fizeram algum efeito e coincidem com a sorte dos jogadores –ou com a indiferença daqueles que não sentirão falta dos dólares perdidos.
Mas a alegria parece uma visitante ocasional, quase indesejada; sim, ela é praticamente uma intrusa. No ar dos cassinos paira uma espessa melancolia, impregnada de fumaça de cigarros, de frustração, de tristeza e, principalmente, de solidão. Entre indiferentes garçonetes que já deveriam ter abandonado as minissaias e decotes há pelo menos a metade da idade e crupiês emburrados e monossilábicos, orientais em sua maioria, circulam –ou estacionam- pessoas apáticas, parecendo indiferentes ao resultado das slot machines (nome em português). Homens e mulheres, idosos em sua esmagadora maioria, fumam seus cigarros, olhos fixos na tela, repetindo mecanicamente os poucos movimentos necessários para operar as máquinas. Ficam assim por horas a fio, absortos, alienados, desesperançosos.
Outros –sempre mais jovens, sempre mais tolos- apresentam fisionomias sérias, tensas, como quem planejou minuciosamente aquele momento, como se esperassem –como se tivessem a certeza de- encontrar naqueles salões uma grande oportunidade, sua grande chance de finalmente fazer girar a seu favor a metafórica roda da fortuna; como se não soubessem que as chances estão todas contra eles. Mas, invariavelmente, ao contrário, acabam vendo suas parcas economias se esvaindo diante de seus olhos impotentes.
Não, cassinos não são, definitivamente, ambientes alegres.
Eu e Letícia passamos algumas horas observando toda aquela fauna exótica.
Vimos um homem perder duzentos dólares na roleta em menos de quinze minutos; ele não acertou absolutamente nenhum dos números que jogou. Outro –um italiano, alegre como todos os italianos- perdeu trezentos dólares de maneira igualmente rápida.
A Letícia queria experimentar o cassino; queria tentar a própria sorte, testar sua capacidade de raciocinar diante das probabilidades, queria vencer a malfadada bolinha.
Tirei um dólar da carteira.
Enfiei numa slot machine.
Apertei um botão.
Puxei a manivela.
O jogo acabou.
Eu perdi meu dólar.
Em menos de cinco segundos.
Assim foi minha experiência com jogos de azar em Las Vegas.
Cassinos não são lugares alegres.

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