Jingle Bell

Por eu mesmo:

caravaggio

Caravaggio e o nascimento do Messias

A tarde chegava ao fim; o sol já se escondera totalmente atrás das colinas, seus últimos raios lutando em vão contra a densa escuridão da noite que se avizinhava. O frio caía lentamente sobre eles, como a noite caía sobre o mundo dos homens. Rapidamente, enquanto ainda havia luz, ajuntaram o rebanho no redil, acenderam a fogueira e prepararam sua refeição. Conversaram sobre as agruras do dia, sobre o preço do pão, sobre as constantes altercações com os pastores de gado, sobre o pesado jugo que os romanos colocavam sobre seus ombros, sobre os profetas e as suas promessas que os faziam prosseguir, que lhes enchiam de esperança. Conversaram por algum tempo, alimentaram o fogo o suficiente para que atravessasse a noite aceso e assim os mantivesse aquecidos e foram dormir, as tarefas do dia seguinte já ocupando seus pensamentos.

Aquela era uma noite como tantas outras, um dia como qualquer dia, com seus problemas, suas pequenas alegrias, suas obrigações impostergáveis, suas modestas ambições, seus planos para o futuro, seus sonhos. Amanhã, acordariam para outro dia também como outro qualquer, e assim a vida se sucederia como tem que ser, até que viesse o fim.

Porém, aqueles pastores não sabiam, mas estava determinado desde o início que, não, aquela não seria apenas mais uma noite; sim, estava determinado que os dias a partir daquele dia nunca mais seriam os mesmos; que a própria vida nunca mais, nunca mais!, seria a mesma!

Encolhidos para melhor se aquecerem, os pastores dormiam o sono pesado e sem sonhos daqueles que se consomem na dura labuta diária. O fogo ainda crepitava alto; mas o clarão que os acordou repentinamente não provinha da fogueira. Assustados, olharam para o céu, resplandescente com um intenso brilho que ofuscava as estrelas. E o terror aumentou quando viram um anjo descendo dos céus em sua direção; o ser celestial, entretanto, falou-lhes, e aquela voz, suave como o fluir de calmas correntes de águas, mansa como o cicio do vento nas folhas das árvores, penetrou fundo em seus corações. Não temais, disse o anjo; porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo.

Os pastores entreolharam-se, maravilhados e curiosos. O que poderia ser assim tão importante, tão urgente a ponto de que o Altíssimo, o Eterno, o Deus Três Vezes Santo se dignasse enviar um integrante das miríades celestiais ao mundo dos homens para anunciar? O que poderia trazer “grande alegria que será para todo o povo”? O anjo prosseguiu; Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Então era isso!? Seria possível?! Estariam sonhando? Não, não era sonho, pois todos eles estavam contemplando a portentosa aparição! Sim, era possível, era verdade, e era maravilhoso! Eles, simples pastores, pobres, tantas vezes desprezados pastores, estavam contemplando com seus próprios olhos, e eram os primeiros, e ouvindo com seus próprios ouvidos -e eram os primeiros!- a notícia mais importante, a crucial anunciação do surgimento do tão ansiado Messias, do desejado Libertador, do Salvador! Eles, meros pastores, eram testemunhas do momento mais importante da História, estavam presenciando o evento que mudaria definitivamente a História! O anjo acrescentou que eles encontrariam o menino envolto em panos, deitado numa manjedoura; imediatamente, surgiu no céu uma miríade dos exércitos celestiais, louvando a DEUS, o Misericordioso, e dizendo:

Glória a DEUS nas alturas, e Paz na terra aos homens, a quem DEUS quer bem!

Depois de cantar estes versos numa voz inaudita, o coral celestial desapareceu. Os pastores decidiram seguir para Belém, onde, segundo as profecias, o Advento do Messias deveria acontecer. Mas agora eles tinham certeza; depois deste dia, suas vidas nunca mais seriam as mesmas, pois, naquele dia, eles souberam:

NASCEU JESUS, O SALVADOR!!!

E, por também saber disso; porque Jesus um dia me foi anunciado, e porque um dia ele transformou completamente a minha vida, e por tê-lo como meu Salvador e Senhor, junto-me aos anjos para declarar:

Glória a DEUS nas alturas, e Paz na terra aos homens, a quem DEUS quer bem!