Pátria amada, Brazil!

geisel

General Ernesto Geisel, ex-presidente do Brazil. Foto: Manoel Pires/Folhapress

Capítulo Dois

Por eu mesmo:

Lembra como você detestava telejornais? Senhor Deus dos altos céus, como era aborrecida aquela meia hora de falação interminável entre as novelas das sete e das oito, como aquela ladainha abusava da sua paciência infanto-juvenil! Mas o Doutor José Carlos Freitas Patto, seu velho e sistemático pai, seu velho, aquele elegante longilíneo ogro de terno e gravata e gestos estudados contidos majestosos exigia silêncio absoluto naquele período, e depois do noticiário, quando papai finalmente se retirava para ler no quarto era a vez de mamãe impor a quietude à numerosa prole diante do único aparelho de tevê disponível na casa –como, aliás, era na maioria dos lares na pátria amada, Brazil! naquela época. Você prestava pouca atenção às notícias; mas foi através do Jornal Nacional que começou a tomar ciência do vasto complexo terrível mundo que cercava sua vidinha tranquila e sossegada de mimado garoto de classe média; sim, foram o velho Cid Moreira e sua trupe de intrépidos repórteres quem te informaram de que então o país era governado por militares (lembra-se do General Ernesto Geisel, o primeiro presidente –quer dizer, o primeiro presidente vivo, real; não aqueles presidentes cujas fotos ilustravam as páginas dos livros de História- do qual você se recorda de ter ouvido falar? Para um garoto inocente a última coisa que aquele vovô de cabeça branca poderia ser era um homem mau); foi o Jornal Nacional quem te informou de que estes militares haviam tomado o poder à força das armas, anos atrás; que eles mantinham o controle do país também pela força das armas; que, porém, nos últimos tempos, a situação política, social e econômica do país vinha se tornando insustentável, e aqueles generais, sempre carrancudos, autoritários nas suas raras entrevistas, empertigados em suas fardas lustrosas, orgulhosos em suas condecorações, olhos ferozes escondidos atrás de seus grandes e invariáveis óculos escuros, vinham costurando um difícil acordo com o Congresso para promover a redemocratização, a anistia ampla, geral e irrestrita, tanto para os agentes públicos quanto para os opositores e integrantes de organizações terroristas de esquerda que combatiam o regime (ávidas por substituí-lo por outra ditadura, a do proletariado mas isso você só viria a compreender depois de muitos anos, pois Cid Moreira e seus valentes repórteres convenientemente se lembravam de jamais mencionar isso, ou jamais se esqueciam de esquecer este nada ínfimo desimportante detalhe. Cacete! Ainda hoje tem muita gente que não entende isso!), o retorno dos exilados políticos e a realização de eleições diretas para a Presidência da República. Mas, naqueles tempos, você, formoso rechonchudo inocente alienado garoto de classe média, filhinho da mamãe, orgulho e esperança do papai, não queria saber nada sobre presidentes e generais e ditaduras e anistias e redemocratização; só queria que o telejornal e as novelas acabassem de uma vez para finalmente assistir aos filmes que você tanto gostava; um bom faroeste de preferência, ou um filme de karatê…

Depois de alguns anos sendo obrigado a assistir o JN, você acabou se acostumando a assistir às matérias; mais um pouco e você já estava até gostando de acompanhar o intimorato (seu jornalistazinho de meia tigela petulante metido a literato) trabalho dos correspondentes de guerra em zonas de conflito; ou dos repórteres de política que irritavam, com suas perguntas incisivas, as autoridades enroladas em esquemas de corrupção, ou se emocionava com as imagens dramáticas captadas pelos cinegrafistas e com a voz impostada e solene dos elegantes apresentadores anunciando as misérias e maravilhas do mundo; mais um pouco e você, abrindo mão do futuro brilhante e abastado planejado pelo seu pai –para enorme frustração do velho-, que o colocaria à frente da famosa banca de advogados comandada por ele, se tornou um jornalista como aqueles da tevê (apesar de ter optado pelo jornalismo escrito). Um dos bons, modéstia às favas.

E não é irônico o fato de que, neste momento em que a roda da História completa mais uma volta, ser um bom jornalista é precisamente o motivo pelo qual você está, assim como o país, completa, perdida e irremediavelmente fodido?

 

 

CONTINUA…

 

A solução da Academia para a polêmica do Oscar

Deu na MarrecoPress:
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

Após a recente polêmica a respeito da ausência de atores negros entre os laureados com o Oscar, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas encontrou uma solução.
Inicialmente, cogitou-se em dividir as categorias, de modo a premiar com a cobiçada estatueta, por exemplo: o melhor ator branco; o melhor ator branco idoso; o melhor ator branco, gay; o melhor ator branco, idoso, gay; o melhor ator negro; o melhor ator gay; o melhor ator gay negro; o melhor ator gay, negro, manco da perna direita; o melhor ator gay, negro, manco da perna esquerda; a melhor atriz; a melhor atriz negra; a melhor atriz negra gay… e assim sucessivamente em todas as categorias, até o infinito e além.
Porém, percebeu-se que, assim como este post, a cerimônia de premiação duraria a noite inteira e se tornaria ainda mais aborrecida do que já é.
Diante deste dilema, chegou-se à uma brilhante solução.
Todos os atores, atrizes, coadjuvantes, roteiristas, diretores, etecétera, levarão para casa o precioso carequinha dourado.
Quer dizer: todos, menos os apoiadores de Trump.
Afinal, até a tolerância do politicamente correto tem limites.

oscar

 

Cidade sitiada

Por eu mesmo:

O Estado do Espírito Santo enfrenta uma greve dos policias militares. Sem policiamento, o caos se instaurou nas ruas. Comércio e escolas fechadas, transporte público parado, assaltos e assassinatos inundaram o cotidiano do pacato cidadão capixaba.

Vila Velha tem sido, nesta semana de tumultuoso medo, uma cidade fantasma. Mesmo durante o dia, as ruas estão desertas, as portas fechadas, os carros imóveis, as pessoas, escondidas em casa.
Mas o Preto, meu vira-lata, não quer nem saber; precisa sair, dar as suas voltas, de manhã e à noite.
Eu também preciso destas voltas; preciso delas para declarar a mim mesmo que a vida segue.
À noite, a sensação de solidão, de abandono, de toque de recolher, é ainda maior. Mesmo assim, mantenho o percurso. Meu passeio com o Preto é a minha petição de princípio: “I am the captain of my soul”, diz o poema. Então, toca o barco, mesmo sob tempestade…
Hoje, enquanto íamos, eu e o Preto, percebi a aproximação de um veículo. Era um caminhão do Exército.
Lento, quase silencioso, o trambolho chacoalhava suas antigas molas. Carregava um grupo de soldados, ainda mais silenciosos, portando reluzentes fuzis. O veículo passou por mim num intervalo entre os postes; senti os jovens rostos me olhando na penumbra…
Nasci em 1968; quando comecei a ter alguma consciência do mundo ao meu redor, a ditadura militar vivia os estertores do seu fim. O pior já havia passado; só tenho, daquele duro período, a lembrança que vem dos livros.
Mas quase tive a sensação de entrar numa espécie de túnel do tempo.
E confesso que quase senti um calafrio.

brasil-crise-seguranca-espirito-santo-20170209-004

Foto: Paulo Whitaker / Reuters

Querem derrubar Temer? Eu topo! Mas, com algumas condições…

Por eu mesmo:

Como se sabe, a ex-presidente Cujo-Nome-Me-Recuso-a-Citar foi apeada do poder mediante um longo processo de impeachment (a propósito, Tchau, Querida). Claro, ela havia sido democraticamente eleita; claro, o processo de impeachment existe justamente para destituir presidentes democraticamente eleitos.

Agora, volta e meia leio partidários da Dona Catástrofe reclamando. Dizem: “foi para isso que vocês impicharam a Falecida?”
Nós impichamos a Desastrosa porque era preciso. Aliás, não custa lembrar que esta crise que ainda vivemos decorre do seu trágico e nada saudoso governo. Ou já se esqueceram do déficit de quase DUZENTOS BILHÕES no orçamento logo no primeiro ano de sua reeleição? Ela saia que havia levado o país à falência, mas escondeu os números do povo para se reeleger. O “fantástico mundo de Bob” petista só existia nas propagandas de João Santana, o ex-marqueteiro e atual presidiário petista.
Derrubamos o Erro porque era o que determinava alei.
Fizemos isso com panelaços e manifestações domingueiras. Sem quebrar uma única vidraça. Sem matar jornalistas com morteiros (mordam-se de inveja e aprendam, sindicatos, grupos sociais e partidos de esquerda!). Enfrentamos a fúria rancorosa, a inveja e o deboche da esquerda e a má vontade da quase totalidade da imprensa. Mas conseguimos.
Temer não era nossa opção; era apenas o segundo na linha sucessória.
E, se querem saber, é infinitamente melhor do que a Ruinosa.
Mas não é intocável, nem está acima da lei.
Só que a Lava Jato prossegue, ao contrário dos prognósticos dos partidários do Estrupício. E o Presidento, muito mais hábil e competente do que sua antecessora, tenta efetivar as medidas necessárias à recuperação do país. Por mim, Temer completa seu governo e entrega o país em 2018 ao seu sucessor. Conforme a lei.
Mas podemos combinar o seguinte: se me provarem que Temer deve cair, eu topo voltar às ruas. Depois de dois presidente impichados, já notei que o Brazil varonil sobrevive ao processo. Nada demais.
Só que eu tenho as minhas condições.
Tem que ser aos domingos. De maneira pacífica. Sem quebrar vidraças nem vandalizar o patrimônio alheio.
E não aceito a presença de black bloks covardes e arruaceiros.
E, principalmente: não pode ser em dia de jogo do GALO.
Se for assim, podem me chamar que eu vou.

fora.jpg

Zé do Caixão sai da tumba

Achei no Bol:

ze

O Zé antes: um morto-vivo…

Nesta segunda-feira (30), o pastor Erzon Aduviri, da Igreja Adventista, compartilhou fotos nas quais José Mojica, conhecido como Zé do Caixão, passa por uma conversão evangélica.

“Neste domingo, o Zé do Caixão, juntamente com a esposa, tomou a decisão pelo batismo na IASD Central Paulistana, no apelo do Pr. Luís Gonçalves. Louvado seja Deus!”, escreveu Erzon na postagem.
ze-2

… e o Zé depois: das trevas para a Luz. “se alguém está em Cristo, é nova criatura; todas as coisas já passaram; eis que tudo se fez novo”

(Obs.: pela entrevista a seguir, parece que a filha do Zé não está gostando muito da história. mas isso nunca foi novidade: muitas vezes a própria família não compreende a opção de uma pessoa por se entregar a Cristo)

Em entrevista ao site Ego, Liz Vamp, filha do famoso, contou que o pai vai ao local acompanhado da esposa, que é evangélica. “Eles eram casados, ficaram separados por 20 anos e voltaram quando ele estava doente. Meu pai vai com ela porque aquilo é importante para ela. Eu não gosto de igreja que se aproveita das pessoas, fico com o pé atrás, mas, enfim, ele está indo sim, está achando as pessoas legais e as pessoas estão tratando ele bem, é o que importa. Espero que eles sejam boas pessoas, acho legal ele acompanhar a esposa, mas queria deixar claro para os fãs que isso não vai afetar o trabalho dele”, esclareceu Vamp.