RECONHECER JEAN WYLLYZ? NEM MORTA, FILHA.

Por eu mesmo:

 

Às vezes, confesso que dá uma vontade danada de deixar passar, de fingir que não vi, que o negócio nem é comigo; mas tem certas coisas tão absurdas que eu não resisto. Posso até me arrepender depois; posso estar semeando palavras ao vento -contrário; mas, nem que seja só para ajudar a deixar evidente o espírito –de porco- desses tempos rombudos, vamos lá…

 

Dia desses, um cara postou uma singela homenagem a Jean Wyllys, parabenizando-o por ter sido eleito uma das “50 personalidades da diversidade em todo o mundo” pela revista The Economist. O título do post do rapaz era: “Ele é um político que não rouba o Tesouro Público. Só por isso já merece o reconhecimento de todos os brasileiros”.

 

É claro que contestei o moço; é claro que ele não gostou da contestação. Daqui a alguns parágrafos mostrarei nosso cordial diálogo; mas antes, algumas considerações sobre o nível de indigência moral e intelectual a que chegamos.

 

Antes de mais nada, acho importante refazer a trajetória política do valente Jean Wyllyz, doravante denominado JW (seu nome tem dáblius, ípsilones e zês demais; dá muito trabalho ficar escrevendo essa cacofonia de letras estrangeiras. Será isso algum nome de guerra?). Como é notório, JW estreou para o grande público participando daquele notório programa filosófico da Globo (sim, aquela mesma Globo, tão odiada e combatida pelos esquerdistas companheiros de JW. Santa contradição, Batman!), o edificante Big Brother. JW venceu o programa; ao que consta, a “confissão” de sua homossexualidade e a “perseguição” por ele sofrida na casa global lhe valeram o prêmio de um milhão de reais. JW se recusa a dizer o que foi feito da grana, e eu fico aqui me perguntando se o agora deputado, socialista, teria socializado a bolada…

 

Terminado o BBB, JW cumpriu o périplo comum a todos os “brothers” e “sisters”: participou de programas de auditório na Globo, da Turma do Didi, até se “consagrar” como repórter no programa da… Ana Maria Braga. Só não sei se posou nu; talvez tenha faltado convite.

 

Convencido de que se tornara famoso o suficiente, e satisfeito pelos relevantes serviços prestados à sociedade na condição de vencedor do BBB e ex-repórter da Ana maria Braga, JW acreditou ser o momento de contribuir ainda mais para o engrandecimento do país; calcado nas milhões de ligações computadas para ganhar o BBB, lançou sua candidatura a deputado federal. O raciocínio poderia até ter uma certa lógica; porém, o cálculo não estava exatamente correto; JW obteve míseros 13 mil votos, insuficientes para dar-lhe a tão almejada vaga no Congresso Nacional. Entretanto, por conta de uma das maiores excrescências do processo eleitoral brasileiro, o malfadado “voto de legenda”, JW acabou se elegendo na aba de outro candidato do seu partido, o PSOL, partido do “socialismo e liberdade”, oximoro capaz de fazer Jorge Luis Borges corar de inveja. Portanto, lá está o rapaz, confortavelmente aboletado no cargo de deputado federal. No qual, segundo o seu apologista, devemos-lhe reconhecimento por não roubar o dinheiro público. Hum…

 

Um deputado federal recebe atualmente salários de R$ 33.700,00. Sim, você leu direito: trinta e três mil e setecentos reais. Ou seja, 42 salários mínimos. Ou seja, JW recebe mensalmente, de salário, o que um trabalhador comum leva três anos e meio para ganhar. “Mas, espere; não é só isso”, diria aquela propaganda da Polishop! Além do salário, JW tem direito a auxílio-moradia de 4,2 mil reais, verba de gabinete no valor de 92 mil mensais, passagens aéreas e plano de saúde. Cada deputado federal custa ao brasileiro, em média, cerca de 170 mil reais por mês. E o valente JW não acha que eles, os deputados, ganham muito…

 

Sim, até entendo que, nestes tempos de bandalheira escancarada, não “roubar” o dinheiro público quase chega a ser uma qualidade num parlamentar; porém, não me peçam para achar que alguém que custa aos combalidos cobres brasileiros a montanha de dois milhões de reais por ano esteja me fazendo algum favor, porque ele, definitivamente, não está!

 

Reconhecer JW porque ele não “rouba” dinheiro público?! Ah, faça-me o favor! Ele até pode não se locupletar ilegalmente com verbas públicas; mas nisso ele não faz mais do que sua obrigação! Quanto à sua atuação parlamentar, aí é que o negócio degringola de vez!

 

Conforme já disse acima, o título do post elogioso ao despenteado deputado era: “Ele é um político que não rouba o Tesouro Público. Só por isso já merece o reconhecimento de todos os brasileiros”. Pois bem: como achei que o motivo era insuficiente para me obrigar a reconhecer JW, retorqui (eu e essa minha boca enorme…). Questionei se o fato de não roubar verbas públicas dava a JW o direito de ser desonesto, autoritário e ignorante (Sim, é verdade que peguei um pouco pesado…). O admirador de JW me pediu que apontasse as provas da desonestidade de seu deputado predileto, de preferência, apontando os processos judiciais a que JW estivesse respondendo. Apontei que a desonestidade de JW é intelectual, na medida em que, na defesa de sua causa, omite fatos e usa de falácias para convencer seu público. O Admirador, então, me ameaçou com processos judiciais por calúnia e difamação caso eu não me retratasse por minhas afirmações…

 

Bem, sr. admirador de JW, apesar de ter me formado na melhor faculdade de Direito do meu Estado, sempre fui um péssimo aluno; nem sei como cheguei ao final do curso. Estão aí os professores Gustavo Varela Cabral e Américo Bede Junior, entre outros, para confirmar; porém, basta uma rápida consulta ao Código Penal (artigo 138) para saber que o ilícito penal denominado calúnia consiste em “imputar a alguém fato definido como crime”. Ora, até onde eu saiba, a desonestidade ainda não está tipificada no Código Penal. Quanto à difamação, até pode ser…

 

Sabemos que JW e seus pares acabaram de criminalizar a opinião com essa absurda lei do direito de resposta –aliás, outra coisa que o democrata JW e seus pares socialistas adoram é uma censurazinha-; se ele quiser me processar, poderá contratar um bom advogado com os mais de 33 mil reais mensais que os meus impostos pagam a ele; ou talvez seu partido disponha de um corpo jurídico do qual ele possa dispor. Quanto a mim, serei obrigado a recorrer a um defensor público. Mas vejamos o diálogo no qual eu teria caluniado e difamado o nobre congressista (por motivos óbvios, omito a identidade do meu interlocutor:

 

 

Paulo Marreco JW é desonesto em absolutamente tudo quanto fala. Só um exemplo: é desonesto quando, falando sobre intolerância religiosa, menciona fatos isolados praticados por algum imbecil ignorante contra religiões afro, mas se esquece de comentar a perseguição promovida a alguns pastores por membros do movimento glt, que cercam locais de culto e promovem baderna e arruaça nas portas de templos, cerceando o direito de culto das pessoas ali reunidas. Lembrando ao nobre amigo que a desonestidade pode ser intelectual e se manifestar da forma acima descrita. Segundo Arthur Schopenhauer, para que haja um debate honesto é preciso que os debatedores estejam dispostos a encontrar a verdade, mesmo que ele esteja do outro lado; JW não quer encontrar a verdade, quer impor sua obscura visão de mundo ao restante da coletividade; por isso é autoritário; por isso foge de qualquer debate com quem quer que seja (a carraspana que levou de Kim Kataguiri é um exemplo). Acredito que você não “ignore” estes fatos; talvez apenas concorde com o “nobre” deputado BBB.

Curtir · Responder · 2 · 7 de novembro às 12:42

 

 

DEFENSOR DE JW Ainda vou ter mais um pouco de paciência contigo, Sr. Marreco: CADÊ A “DESONESTIDADE” e as “PICARETAGENS” que o Sr. falou? Até agora, falou de religiosidade. Isso eu não discuto, pois é como discutir Meteorologia, Astrologia, Simpatias. Cada um com suas crenças. Quero saber aonde o sr. viu um processo contra o deputado Jean Wyllys por desonestidade ou picaretagem. Ou o Sr. RETIRA o que disse sobre estes dois temas ou o Sr. estará sujeito a acusações de calúnia e difamação. O Sr. tem ou não tem provas de “desonestidade” e “picaretagem” por parte do deputado??? Desonestidade e picaretagem é o que se tem visto entre os acusados na Operação Lava-Jato, no Petrolão, no Mensalão, no Tremsalão de S. Paulo. O Sr. tem algo semelhante a apontar sobre o deputado Jean? Se não tem, SAIA FORA DO MEU FACE e pare de acusar pessoas de bem apenas baseado em suas convicções religiosas.

Curtir · Responder · 1 · 7 de novembro às 15:09 · Editado

Paulo Marreco Fico grato e lisonjeado pela deferência de ter paciência comigo, Sr. DEFENSOR DE JW; vou tentar me fazer entender novamente; o sr. é uma pessoa inteligente, creio que será capaz disso. A questão, ao contrário do que o Sr. falou, não é de RELIGIÃO; é de PRINCÍPIOS. Se JW OMITE dados para fortalecer seu argumento e tentar vencer um debate, ele está sendo DESONESTO. Quando JW afirma que é intolerância um religioso afirmar que homossexualismo é pecado, mas que um homossexual enfiar um crucifixo no r… no ânus é manifestação artística e liberdade de expressão, ele está sendo extremamente DESONESTO. Conseguiu compreender agora? Desonestidade não é só meter dinheiro público no bolso; desonestidade é usar argumentos falaciosos para ludibriar a opinião pública. E o botão de bloqueio é a serventia da casa, meu caro; faça uso dele quando quiser.

Curtir · Responder · 2 · 7 de novembro às 16:23

 

DEFENSOR DE JW Paulo Marreco O Sr. Cunha deve estar felicíssimo da vida de encontrar um teórico da honestidade como o Sr., Sr. Marreco. Afinal, então tá liberado usar Cristo como biombo pra todo tipo de ação. Agora, não está liberado denunciar a religião como a coisa mais opressora já inventada pelo homem. Ora, pedi ao Sr. UMA, E APENAS UMA, DENÚNCIA DE DESONESTIDADE E PICARETAGEM do querido jornalista, intelectual, professor e deputado e o Sr. me vem com conversinha, TERGIVERSAÇÃO (SABE O QUE É ISSO?). Nem responda mais, já vimos quais são as suas VERDADEIRAS ÍNDOLE E INTENÇÃO. Sai fora, pega a BR, que aqui é papo de gente que não rouba nem o Tesouro Público e nem a INGENUIDADE DO POVO. E quer viver como Jesus queria, encontrar Jesus? Dê um tiro na sua cabeça. Não tente ficar dando tiro na cabeça dos outros. Isto, sim, é que é desonestidade intelectual.

 

Uau!

 

A razão pela qual essa turma enfia Eduardo Cunha em qualquer debate, tentando assim desacreditar seu oponente, nem chega a ser um mistério; Schoppenhauer explica. A religião é a coisa mais opressora inventada pelo homem? Será que ele se refere também as religiões afro, as quais JW defende, ou vale apenas para o Cristianismo?

 

O amigo e fã de JW tenta me intimidar com o que ele imagina serem palavras difíceis. Leio cerca de 50 livros por ano. Entre meus autores favoritos estão Borges, Dostoievski e Faulkner; acredite, não tenho medo de palavras difíceis. E, por acaso, conheço o significado de tergiversar; mas continue tentando; adoro conhecer palavras novas.

 

Reparem que, no final, ele recomenda que eu meta uma bala na cabeça. Que conselho singelo!

 

Eis o tipo de tolerância que a seita wyyyllllyyyyana demonstra, principalmente quando se defronta com cristãos. Por que será que essa turminha é tão cristofóbica?

 

Como mencionei lá no início, eu deveria deixar esse negócio de lado; mas, após o atentado em Paris, o incorrigível JW veio a público manifestar sua opinião de “intelectual”. Leiam abaixo:

 

  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov O fundamentalismo religioso e o fascismo que ceifaram vidas em Paris também são reproduzidos aqui.

 

  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov Nesses países, o fundamentalismo e o fascismo religiosos usam a máscara do Islã para perpetrar sua violência contra os “infiéis”.

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  1. Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov Em países ocidentais (no Brasil e nos EUA em especial), eles usam a máscara das religiões cristãs.

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Jean Wyllys‏@jeanwyllys_real  15 de nov

  1. Aqui, a comunidade de LGBTs é vítima dos discursos de ódio de alguns líderes religiosos e políticos de igrejas cristãs.

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Eis o nível moral e intelectual dessa gente.

 

Sinto muito, sr. Ardoroso Defensor de Jean Wyyyyllllyyyyyzzzz, o seu “querido intelectual”; mas eu só tenho três palavras para descrever quem compara líderes cristãos com terroristas islâmicos, assassinos covardes de pessoas inocentes:

Desonesto, pilantra e picareta.

 

Reconhecer um sujeito que profere imbecilidades como esta? Como dizia o Didi Mocó, “nem morta, filha”.

 

Agora pode correr lá para contar ao seu amiguinho.

 

 

 

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CUIDADO COMIGO: SOU UM FUNDAMENTALISTA RELIGIOSO! (OU: SOBRE A INTOLERÂNCIA).

Por Paulo Marreco (ou seja, eu mesmo):

Isso mesmo. Não se iluda com minha aparência simpática, com meus ares de civilidade, com minhas postagens engraçadinhas, com minhas pobres referências literárias, com minhas críticas políticas. Por trás disso tudo há um fundamentalista religioso; todas as minhas ações, mesmo as mais inofensivas na aparência, visam um único objetivo: a conversão dos pecadores empedernidos, especialmente o Nelson Porto, o Zoca Moraese o Luiz Luiz Tadeu Cebola.

Porém, antes de mais nada, às definições, segundo o meu dicionário: um fundamentalista religioso é alguém que vive, ou procura viver (e peço desculpas antecipadas pela cacofonia de efes que vem pela frente), de acordo com os fundamentos da sua fé; alguém cuja trajetória é fundamentada nos preceitos da sua crença. Tornei-me cristão lá pelos dezoito anos de idade, quando o peso do mundo foi tirado das minhas costas; desde então, mal ou bem, procuro tomar a cada dia a minha cruz e caminhar olhando para o alto, na direção do meu Senhor. Nem sempre é fácil –mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa-, nem sempre sou bem sucedido; mas jamais, ao longo dos anos, me arrependi nem por um instante, nem cogitei desistir.

Mas quais seriam, pois, os fundamentos da fé cristã? Fácil; qualquer garoto que frequenta a escola dominical dirá que o Cristianismo pode ser sintetizado no versículo 16 do capítulo 3 do Evangelho de João, o qual ensina que o amor de Deus pelos homens é tão imenso que Ele enviou Seu Filho, Jesus Cristo, para dar a vida eterna aos que nele crerem. O próprio Jesus ensinou certa vez que a “lei” divina pode ser resumida a dois preceitos: amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo.

Não parece tão difícil; mas a experiência humana tem demonstrado que, na prática, nós conseguimos complicar qualquer coisa, mesmo as mais simples.

Ora, é sabido que o Cristianismo é monoteísta; acreditamos num único Deus –ainda que Ele seja composto por Três Pessoas, mas aí já é conversa para outro papo. E, sim, acreditamos no “catolicismo” da nossa fé, ou seja, na sua universalidade, ou seja, o Cristianismo é para todos os homens, ou seja, ele é para você. “Todos pecaram”, diz o Livro; “todos precisam da graça de Deus”.

Então, PM, você acha que os homossexuais são pecadores e precisam da graça de Deus?

Sim, acho.

Como são pecadores os heterossexuais, e carentes da graça de Deus.

Como você é pecador e necessita da graça de Deus.

Como eu sou pecador e preciso desesperadamente da graça de Deus.

Diariamente.

Sim, no que diz respeito ao Cristianismo, estou com o meu xará mais famoso: prouvera a Deus que todos se tornassem como ele, exceto pelas correntes…

Entretanto, depois de tantos anos, já consegui aprender uma coisa ou outra. Entre elas: ninguém é obrigado a acreditar em Cristo. Nem mesmo a respeitá-lo. Não cairá um raio dos céus para fulminar os incréus ou os escarnecedores. Quem quiser segui-lo não será convencido por sinais miraculosos, mas deverá exercer a maravilhosa faculdade que nos difere dos outros animais, mais do que a capacidade da fala ou os polegares opositores: o livre arbítrio.

Vai a Cristo quem quer. E também vaia Cristo quem quer. Se quiserem minha opinião sobre Ele: maravilhoso, magnífico, sensacional, supimpa. Recomendo fortemente a todos. Mais do que qualquer coisa.

Mas, repito: vai a ele quem quer.

Mas, afinal de contas, aonde você quer chegar?, pergunta meu interlocutor imaginário.

Simples: tem se falado muito de uma tal “intolerância religiosa” protagonizada pelos cristãos, especialmente contra os homossexuais. Silas Malafaia e Marco Feliciano, entre outros menos cotados, são apontados como os principais cabeças de algo que poderíamos chamar de “perseguição anti-gays”; quase uma nova Inquisição, onde quem arde na fogueira furiosa (eu avisei sobre a cacofonia) são aqueles que se relacionam com pessoas do mesmo sexo. Recentemente, o deputado Jean Wyllyz, notório principalmente por sua participação no Big Brother Brasil da –suprema ironia!- Rede Globo, o “muso” dos tolerantes do movimento GLTB e dos fascistinhas do PSOL, deu uma entrevista a uma rede católica. Chamou de intolerância religiosa o chute que o pastor desferiu na imagem da santa (concordo), bem como as invasões de terreiros de umbanda e a depredação dos seus objetos de culto (está certo); porém, classificou de “falsa intolerância” a performance do transsexual que se vestiu de Jesus na parada gay, assim como a utilização de objetos da “iconografia cristã, que se transformou em patrimônio da humanidade”, em manifestações artísticas do Porta dos Fundos e outros. Certamente, deve incluir nesta categoria os auto-estupros protagonizados por manifestantes na marcha das vadias. Wyllyz tomou incidentes isolados como se fossem a conduta dominante dos cristãos. Convenientemente, não mencionou a perseguição a Silas Malafaia e Marco Feliciano, essa sim, sistemática e generalizada. Ora, já que os cristãos são tão intolerantes, podem ser ridicularizados e ofendidos nas paradas gays da vida; como os cristãos são esses malvadões que perseguem os homossexuais, não há problema em manifestantes da marcha das vadias se auto-estuprarem utilizando crucifixos; isso é só manifestação artística; eles não estavam demonstrando seu ódio aos cristãos; estavam apenas se utilizando de um patrimônio da Humanidade. E, já que Malafaia e Feliciano e, por conseqüência, seus “seguidores” são assim, intolerantes, podem ser livremente hostilizados. Jornalistas podem mandá-los “chupar uma rola” ao vivo e serão efusivamente aplaudidos. Militantes podem assediá-los em seus locais de culto, aos berros, tumultuando as celebrações com batucadas de candomblé, turbando o direito alheio ao culto religioso, porque o candomblé é legal e tolerante.

Uma pessoa daqui do Facebook, ator global, postou este vídeo do inefável JW; polidamente, fiz as observações acima, sobre a falácia do seu argumento. O cara me mandou entregar meu cartão de crédito –com senha- para Feliciano. Depois desfez a amizade.

Esse é o tipo de tolerância reservada aos cristãos. E isso não é de hoje.
Tenho amigos cristãos cujos avós foram missionários pioneiros em vários lugares do país. Muitas vezes eram recebidos, nos interiores, por padres de espingarda em punho, defendendo suas paróquias. Lembro-me de, na minha infância, acompanhar meus primos de Belo Horizonte, alguns anos mais velhos, à igreja. Frequentemente eram ridicularizados e hostilizados nas ruas. Faça um esforço e procure se lembrar quando um personagem evangélico não foi retratado nas novelas como um fanático, um ignorante, um oportunista ou um hipócrita.

Como eu relatei, militâncias organizadas se acham no direito de perseguir líderes religiosos, tumultuando os cultos dos quais participam. Momentos que normalmente se caracterizam como oportunidade de reflexão, de manifestação da religiosidade, de celebração, estão sendo transformados em campos de ofensa, de confrontação. Presenciei isso ontem.

Mas os intolerantes são sempre os outros.

Especialmente se os outros forem cristãos.

Mas isso não chega a ser novidade. Há tempos os cristãos servem de alimento às feras para deleite do povo.

Boa hora para lembrar as últimas palavras Daquele que escolheu a cruz: “perdoai-os, porque não sabem o que fazem”…

A rude cruz que nos redime.

A rude cruz que nos redime.