O DOENTE

Minha homenagem à tribo de doentes mais saudáveis do planeta:

 

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– Doutor, o caso é grave?

 

– Não sei. O que aconteceu?

 

– Ele estava trabalhando e, de repente, surtou!

 

– Surtou?

 

– É, doutor. Ele estava atendendo um cliente e, do nada, gritou “UHUUUUUUUUUU!”, subiu em cima da mesa e ficou ali, os braços esticados, se balançando todo e gritando: “Eu sou o Carlos Leite! Eu sou o Carlos Leite!”. Que raio de doença é essa? E quem será esse tal de Carlos Leite, doutor?

 

O médico abanou a cabeça. Está acontecendo de novo, pensou.

 

– Kelly Slater.

 

– Perdão, doutor?

 

– Não é Carlos Leite, é Kelly Slater. Ele dizia que era o Kelly Slater.

 

– Kelly quem?

 

O doutor olhou espantado para o sujeito. Então existe alguém neste mundão de meu Deus, velho e sem porteira, que não sabe quem é KS? Preferiu não comentar. Examinou com atenção o estranho paciente. Olhos: vidrados, distantes; mãos: trêmulas, nervosas. De vez em quando, balbuciava palavras desconexas: Grajagan, Chicama, Trestles… O diagnóstico era claro, e o doutor acertou na bucha:

 

– Isso é Delirium Surfens.

 

– ??????

 

– Síndrome de abstinência.

 

– Síndrome de abstinência?

 

– É.

 

– Mas abstinência de quê, doutor?

 

– De onda.

 

– De onda?

 

– Isso.

 

– Como assim, doutor?

 

– Você nunca reparou?

 

– Reparou em quê, meu Deus?

 

– Nos ombros largos, no andar balançado, na pele sempre tostada de sol, no eterno bom humor, no sorriso permanente e na felicidade no olhar do rapaz?

 

– Hum, não, nunca reparei.

 

O médico deu um profundo suspiro. Esse sujeito deve ser realmente muito infeliz. O diagnóstico:

 

– Esse pobre coitado é viciado em surfe.

 

– Viciado em surfe?

 

– Exatamente.

 

– E isso é grave?

 

– Imagina. Esse cara é até bem saudável.

 

– Mas e essa negócio de subir nas mesas e achar que é o Carlos Leite?

 

– Kelly Slater.

 

– Isso, Quélislaiteir. Isso não é perigoso? Contagioso?

 

– Não se preocupe. O paciente é inofensivo. Essas crises são muito comuns nessa época do ano. É que no verão não tem onda…

 

– E qual é o remédio, doutor?

 

– Hoje à noite, um bom filme de surfe, para acalmá-lo um pouco. E amanhã…

 

– Amanhã…

 

– Amanhã você o despacha para uma semana em Itacaré, e ele voltará novinho em folha.

 

– Só isso?

 

– Só isso.

 

– Okêi, doutor. Muito obrigado pela ajuda.

 

– Às ordens.

 

O homem já ia saindo, aliviado. De repente, lembrou-se de um detalhe, virou-se para o médico e perguntou:

 

– Doutor, e esse negócio aí, de ser viciado em surfe, tem cura?

 

O médico abriu um largo sorriso e exclamou:

 

– Graças a Deus, não!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MARRECOS MIGRAM PARA O NORTE – SEGUNDA PARTE

UNIVERSAL

AVENTUREIROS, “PERO NO MUCHO”

Por eu mesmo:

No primeiro post, contei minhas peripécias para entrar nos EUA de férias ao lado da Letícia Marreco; agora é hora de falar da nossa aventura -pero no mucho- nos parques Universal Studios e Island of Adventures (atendendo a insistentes pedidos, com mais fotos desta vez). Acho que não mencionei, mas tanto eu quanto a Senhora Marreco temos absoluto pavor de brinquedos radicais. Sim, eu sei; é quase um contrassenso ter medo de alturas e de ficar pendurado de cabeça para baixo e ir aos parques de Orlando; porém, como diria o Bardo, “há muito mais coisas entre o Magic Kingdon e o Universal Studios do que a Dragon Challenge“. Além disso, nós havíamos, no dia anterior, encarado inadvertidamente a “Seven Dworf Mines”; portanto, achamos que estávamos preparados para desafios maiores…

UNIVERSAL STUDIOS

Let the games begin... opa, essa é de outro filme...

Let the games begin… opa, essa é de outro filme…

Um universo de diversão te aguarda do outro lado deste portal.

Um universo de diversão te aguarda do outro lado deste portal.

Se, no reino mágico do Mickey & cia., os pequenos se encantam com os personagens criados por Disney e sua trupe, os parques da Universal apostam em heróis do cinema e dos quadrinhos, alcançando um público mais crescidinho. E, como eu passei toda a minha infância e adolescência lendo HQs do Batman, Homem Aranha, Hulk e outros, acabei me identificando mais com este parque.

UNIVERSAL 2

Regra número um: nunca, jamais se abstenha de pagar qualquer mico. O que importa é ser feliz.

Mas, obviamente, o Universal Studios vai além dos personagens dos quadrinhos; tanto é assim que, assim que entramos no parque, nos deparamos com os Blue Brothers (Irmãos Cara-de-Pau) em sua famosa viatura policial roubada. Os caras circulam pelo parque dando carona (que deve custar algumas doletas) para os visitantes e, num determinado momento, param e fazem um show no meio da rua.

Como diria Mark Whalberg, I think we just found a Transformer!

Como diria Mark Whalberg, I think we just found a Transformer!

Essa foto aí é de um dos brinquedos mais requisitados do parque; através de recursos de robótica, simuladores de voo e tecnologia 3D, você participa de um vertiginoso e violento combate entre os Autobots e Decepticons; para a nossa sorte, somos protegidos pelo Optimus Prime!

Como eu disse, o Universal Studios não se resume aos heróis dos quadrinhos; de fato, um dos melhores shows que assisti, um misto de comédia e musical, é protagonizado por uma trupe de anti-heróis como Drácula, Frankestein e Lobisomem, comandados pelo impagável Beetlejuice.

Aguardando o início do show do deliciosamente sarcástico Beetlejuice.

Aguardando o início do show do deliciosamente sarcástico Beetlejuice.

 

Ei-los!

Ei-los!

JURASSIC PARK!

A partir deste ponto, você está por sua própria conta e risco. Ah, mas o risco não é lá tão grande...

A partir deste ponto, você está por sua própria conta e risco. Ah, mas o risco não é lá tão grande…

Uma das atrações principais é o mundo de Jurassic Park, onde o visitante interage com os lagartões de Steven Spielberg.

Ahhhhhh! Que susto de mentirinha que esse dinossauro de mentirinha me deu!!

Ahhhhhh! Que susto de mentirinha que esse dinossauro de mentirinha me deu!!

Achei essa parte a mais infantil do parque; a maior emoção -para quem não se aventura na montanha russa, é óbvio- é levar uma ducha no passeio de barco no River Adventure. O que pode ser bastante refrescante no verão da Flórida…

Vai uma ducha aí?

Vai uma ducha aí?

Quer se refrescar do calor? Vá ao River Adventure.

Quer se refrescar do calor? Vá ao River Adventure.

 

HARRY POTTER!

Deixei o Harry Potter para o final porque é, de longe, a melhor parte do Universal Studios e do Island of Adventure que nós fomos.

A caminho de Hogsmeade. Seja lá onde isso fica.

A caminho de Hogsmeade. Seja lá onde isso fica.

Mesmo se você, como eu, não assistiu nenhum dos filmes e desconhece completamente o universo do bruxinho mais famoso do planeta, não há como não se impressionar com a riqueza, a quantidade e a exatidão dos detalhes do seu mundo. Para começar, o Diagon Alley fica praticamente escondido; acho que, se algum visitante não souber da sua existência, pode andar por todo o parque sem encontrá-lo. A primeira pista para entrar no mundo da magia é o ônibus de três andares; a entrada para o Diagon Alley é logo adiante. Há um muro de tijolos vermelhos com uma passagem quase secreta; atravessando esta passagem, você se depara com a mágica Londres dos livros e filmes.

O ônibus mutante.

O ônibus mutante.

 

O impacto da primeira visão do Diagon Alley!

O impacto da primeira visão do Diagon Alley!

Diagon Alley.

Diagon Alley.

Claro que aqui também tem dragão...

Claro que aqui também tem dragão…

... E é claro que ele também cospe fogo!

… E é claro que ele também cospe fogo!

 

Alguém viu o Harry por aí?

Alguém viu o Harry por aí?

Bateu a fome?

Bateu a fome?

Que tal umas enguias gelatinosas? No, thanks...

Que tal umas enguias gelatinosas? No, thanks…

Outra coisa sensacional é que o ambiente de Harry Potter (Londres e Hogwarts) se divide entre os dois parques; para conhecer a ambos, você precisa pegar um trem (se, claro, tiver comprado os tickets para os dois parques) e se deslocar de um parque a outro.

 

Estação de Londres. Próxima parada: Hogwarts. A viagem é tranquila; mas torça para não ter um indiano em sua cabine...

Estação de Londres. Próxima parada: Hogwarts. A viagem é tranquila; mas torça para não ter um indiano em sua cabine…

Um dos maiores arranha-céus do Diagon Alley.

Um dos maiores arranha-céus do Diagon Alley.

 

Ô Harry, dá pra sair da frente que tá atrapalhando a foto?! Brigadão. E sem feitiços, heim?!

Ô Harry, dá pra sair da frente que tá atrapalhando a foto?! Brigadão. E sem feitiços, heim?!

Uma coisa engraçada nessa parte do parque é a quantidade de crianças e adolescentes -vá lá, adultos também- completamente paramentados como o bruxinho e seus amigos; as varinhas mágicas eu desisti de contar…

A riqueza de detalhes é impressionante!

A riqueza de detalhes é impressionante!

A neve é tão real que eu quase senti frio...

A neve é tão real que eu quase senti frio…

Toda essa neve, e eu sem meu casaco...

Toda essa neve, e eu sem meu casaco…

A escola de magia de Hogwarts.

A escola de magia de Hogwarts.

Mais de perto.

Hogwarts por outro ângulo.

Dentro do castelo de Hogwarts está o melhor brinquedo que nós visitamos; um alucinante passeio de vassoura em 3D; a sensação de voo é vertiginosa. E adivinha quem aparece para te apavorar? Lembra do dragão ali de cima? pois é, ele mesmo.

Sem falar, é claro, de você-sabe-quem…

Para finalizar esse dia mágico, fomos dar uma volta na famosa Downtown Disney, uma área comercial que concentra restaurantes e lojas, dentre as quais a maior loja de produtos Disney do planeta.

E, por falar em Planeta, não poderíamos deixar de experimentar o Planet Hollywood… 

Entrada do Planet Hollywood.

Entrada do Planet Hollywood.

A decoração do restaurante remete aos momentos marcantes de -adivinhem? Hollywood!

A decoração do restaurante remete aos momentos marcantes de -adivinhem? Hollywood!

- Aí, Simba? - Diz aí, James? - Não olhe agora, mas tem a maior gata sentada bem aqui na minha frente...

– Aí, Simba?
– Diz aí, James?
– Não olhe agora, mas tem a maior gata sentada bem aqui na minha frente…

Fomos de ribs & fries para repor as energias.

Fomos de ribs & fries para repor as energias.

No dia seguinte, exaustos e felizes, era hora de partir rumo a Nova Iorque. Mas isso é assunto para o próximo post…

Até lá!

 

P.S.: Enquanto andávamos pelo Jurassic Park, notei uma estrutura negra, gigantescas sendo montada ao lado.

O nome que estava escrito?

King Kong!

Certamente, terei que voltar ao Universal Studios!