O DOENTE

Minha homenagem à tribo de doentes mais saudáveis do planeta:

 

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– Doutor, o caso é grave?

 

– Não sei. O que aconteceu?

 

– Ele estava trabalhando e, de repente, surtou!

 

– Surtou?

 

– É, doutor. Ele estava atendendo um cliente e, do nada, gritou “UHUUUUUUUUUU!”, subiu em cima da mesa e ficou ali, os braços esticados, se balançando todo e gritando: “Eu sou o Carlos Leite! Eu sou o Carlos Leite!”. Que raio de doença é essa? E quem será esse tal de Carlos Leite, doutor?

 

O médico abanou a cabeça. Está acontecendo de novo, pensou.

 

– Kelly Slater.

 

– Perdão, doutor?

 

– Não é Carlos Leite, é Kelly Slater. Ele dizia que era o Kelly Slater.

 

– Kelly quem?

 

O doutor olhou espantado para o sujeito. Então existe alguém neste mundão de meu Deus, velho e sem porteira, que não sabe quem é KS? Preferiu não comentar. Examinou com atenção o estranho paciente. Olhos: vidrados, distantes; mãos: trêmulas, nervosas. De vez em quando, balbuciava palavras desconexas: Grajagan, Chicama, Trestles… O diagnóstico era claro, e o doutor acertou na bucha:

 

– Isso é Delirium Surfens.

 

– ??????

 

– Síndrome de abstinência.

 

– Síndrome de abstinência?

 

– É.

 

– Mas abstinência de quê, doutor?

 

– De onda.

 

– De onda?

 

– Isso.

 

– Como assim, doutor?

 

– Você nunca reparou?

 

– Reparou em quê, meu Deus?

 

– Nos ombros largos, no andar balançado, na pele sempre tostada de sol, no eterno bom humor, no sorriso permanente e na felicidade no olhar do rapaz?

 

– Hum, não, nunca reparei.

 

O médico deu um profundo suspiro. Esse sujeito deve ser realmente muito infeliz. O diagnóstico:

 

– Esse pobre coitado é viciado em surfe.

 

– Viciado em surfe?

 

– Exatamente.

 

– E isso é grave?

 

– Imagina. Esse cara é até bem saudável.

 

– Mas e essa negócio de subir nas mesas e achar que é o Carlos Leite?

 

– Kelly Slater.

 

– Isso, Quélislaiteir. Isso não é perigoso? Contagioso?

 

– Não se preocupe. O paciente é inofensivo. Essas crises são muito comuns nessa época do ano. É que no verão não tem onda…

 

– E qual é o remédio, doutor?

 

– Hoje à noite, um bom filme de surfe, para acalmá-lo um pouco. E amanhã…

 

– Amanhã…

 

– Amanhã você o despacha para uma semana em Itacaré, e ele voltará novinho em folha.

 

– Só isso?

 

– Só isso.

 

– Okêi, doutor. Muito obrigado pela ajuda.

 

– Às ordens.

 

O homem já ia saindo, aliviado. De repente, lembrou-se de um detalhe, virou-se para o médico e perguntou:

 

– Doutor, e esse negócio aí, de ser viciado em surfe, tem cura?

 

O médico abriu um largo sorriso e exclamou:

 

– Graças a Deus, não!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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MARRECOS MIGRAM PARA O NORTE – LARGADOS NO CENTRAL PARK!

 

 

Dá pra montar uma barraca e ficar por aqui?

Dá pra montar uma barraca e ficar por aqui?

 

Por eu mesmo:

Seguindo nosso roteiro, iríamos conhecer a Catedral de Saint Patrick, o Museu de História Natural e aquele que é, ao lado do Empire State Building, um dos mais icônicos símbolos de Nova Iorque: o Central Park.

Como estávamos muito cansados pelas extensas caminhadas dos dias anteriores e, além disso, o Central Park ficava a uma distância razoável do “nosso” apartamento, decidimos ir de metrô.

O metrô de NY é meio sujo e malconservado; porém, mantém um certo charme. Como estes belos painéis feitos de pastilhas de cerâmica.

Os belos painéis de pastilhas de cerâmica do metrô de NY.

O metrô de Nova Iorque, apesar de meio sujo e malconservado, mantém seu charme graças a detalhes como os belos painéis indicativos da estação, feitos de pastilhas cerâmicas, e algumas bonitas entradas de estações. Entretanto, alguns trens carregam em seus vagões marcas como as da foto abaixo. Marcas que nós, brasileiros, conhecemos muito bem… Quando vi aqueles sinais, perguntei ao rapaz ao meu lado, um oriental, com pinta de estudante, o que seria aquilo. Após retirar os fones de ouvido e finalmente perceber as marcas, ele argumentou que alguém poderia ter dado pancadas na porta. Como as marcas eram profundas e a porta me pareceu bastante sólida, questionei se ele achava que poderiam ser tiros. “I don’t know”, ele disse; “it is possible. I mean, this is a crazy city”…

Mais uma noite tranquila no metrô de NY...

Mais uma noite tranquila no metrô de NY…

 

Sim, Nova Iorque pode ser realmente uma cidade muito louca; é até possível que algum maluco tenha efetuado disparos na porta de um vagão do metrô. Sem falar na questão racial: segundo meu anfitrião Yardi, é preciso evitar determinados bairros nos quais os brancos não são bem vindos, e onde gangues disputam o domínio das ruas. E, é claro, não podemos jamais esquecer o terrível 11 de Setembro. Contudo, e apesar de tudo, a sensação de segurança ao caminhar na cidade é indescritível. Olhar ao seu redor e ver magotes de turistas manuseando tranquilamente suas câmeras fotográficas é algo quase surreal para nós, brasileiros, tão -mal- acostumados aos nossos mais de 40 mil homicídios anuais por armas de fogo, aos arrastões na orla de Copacabana, aos sequestros relâmpagos, às saidinhas de banco, aos roubos com facas. Numa entrevista recente, o cineasta José Padilha, atualmente radicado em Los Angeles, Califórnia, resumiu de maneira dramática a situação do Brasil:

“O Brasil perdeu a sensibilidade para o absurdo. A cidade do Rio de Janeiro é a barbárie. Outro dia me deu vontade de chorar. Estava lá no jornal a foto de um médico morto, na Lagoa Rodrigo de Freitas, a facadas, para roubar a bicicleta dele. Duas semanas antes, o marido da minha irmã estava andando de bicicleta na Lagoa e foi esfaqueado, roubaram a bicicleta, e ele passou a noite no hospital. Tenho outro amigo, arquiteto, cujo filho sofreu a mesma coisa. Vamos fazer um paralelo: é como se a gente estivesse no Central Park, em Nova York, e as pessoas que estão andando de bicicleta fossem esfaqueadas. Sabe o que ia acontecer? Ia fechar o Central Park, ia ter quinhentos policiais, não ia acontecer. Porque o sujeito que está em Nova York consegue ver o absurdo, a gente não consegue mais ver o absurdo.”

Muitos de nossos compatriotas criticam os Estados Unidos por inúmeras razões; e o país, obviamente, não é perfeito. Contudo, depois que um brasileiro conhece a realidade de uma nação desenvolvida e compara com a sua própria, então começa a perceber o quão longe a nossa pobre, violenta pátria amada está de se tornar uma verdadeira… pátria.

Mas deixemos essa melancólica reflexão político-filosófico-existencial para outro post: agora é hora de conhecer o…

CENTRAL PARK!

O Central Park é um delicioso oásis verde no coração da selva de pedra. A legenda é brega, mas o parque é massa!

O Central Park é um delicioso oásis verde no coração da selva de pedra. A legenda é brega, mas o parque é massa!

Uma das incontáveis estátuas que adornam o parque.

Uma das incontáveis estátuas que adornam o parque.

Por incrível que pareça, o nome Central Park não é aleatório nem figurativo: o parque, com seus impressionantes 341 hectares atuais, fica realmente no centro da ilha de Manhattan. Inaugurado em 1857, com projeto de Frederic Law Olmsted e Calvert Vaux, vencedores de um concurso para desenvolvimento da obra, é o primeiro parque público dos EUA; viveu fases de abandono durante a Depressão dos anos 1930 e, posteriormente, a mais grave, a partir dos anos 1960.

A bucólica paisagem do Central Park

A bucólica paisagem do Central Park

Durante duas décadas, sofreu a deterioração de seus equipamentos e instalações por conta da do acúmulo de lixo, da falta de manutenção, do vandalismo -que incluía deploráveis e horrorosas pichações-. O parque deixou de ser frequentado por pessoas comuns, transformando-se em reduto de marginais e usuários de drogas. De principal centro recreativo da cidade, o Central Park passou a ser uma ruína perigosa e sem lei. Porém, em 1974, a partir de um estudo de gerenciamento encomendado por George Soros e Richard Gilder, a história do parque começou a mudar; criaram-se um Gabinete Executivo com autoridade plena e um Conselho de Guardiães do Central Park, a fim de supervisionar o planejamento e as políticas aplicadas em relação ao parque; assim, a sociedade civil, ou seja, o cidadão comum, passou a ter participação na administração de um parque público.

Belo lago.

Belo lago… Opa! Olá, primos!

Esta revolucionária parceria público-privada, através da injeção de capital de entidades privadas, possibilitou a maravilhosa recuperação do Central Park; a partir de então, mais empresas e indivíduos investem dinheiro no local. Hoje, o Central Park é um orgulho para a cidade e seus habitantes, e se transformou num delicioso e pacífico ambiente, repleto de vegetação, lagos, pontes, arcos, trilhas, estátuas -tem até um zoológico!- que proporcionam aos frequentadores momentos de relaxado prazer.

Esse aí é o Balto, um dos huskies que cruzaram o Alaska transportando soro para combater uma epidemia de difteria. Grande Balto!

Esse aí é o Balto, um dos huskies que cruzaram o Alaska transportando soro para combater uma epidemia de difteria. Grande Balto!

Eu e ela, ela e eu.

Eu e ela, ela e eu.

Descansando. Ah: não é proibido pisar na grama...

Descansando. Ah: não é proibido pisar na grama…

A mais bela paisagem novaiorquina.

A mais bela paisagem novaiorquina.

Uma das bucólicas passagens do Parque.

Uma das bucólicas passagens do Parque.

Cercado de prédios por todos os lados, o central Park é uma ilha verde no coração de Manhattan.

Cercado de prédios por todos os lados, o central Park é uma ilha verde no coração de Manhattan.

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL

Ao lado do Central Park fica um dos museus mais famosos -já está ficando monótono dizer isso, mas é verdade- do mundo, o American Museum of Natural History, cenário inclusive de sucessos de Hollywood, como Uma noite no Museu. Suas réplicas de baleias, elefantes, leões, dinossauros, fósseis, índios; suas miniaturas perfeitas de tribos, embarcações e cidades; e outras atrações reais, como a Estrela da Índia, a maior safira do mundo, distribuídos em assombrosos quatro quarteirões, são um prato cheio para a criançada, e divertem os grandinhos também.

A fachada do Museu. Cadê o Ben Stiller?

A fachada do Museu. Cadê o Ben Stiller?

Sessão dos dinossauros...

Sessão dos dinossauros…

Réplicas perfeitas ou animais empalhados? Dúvida...

Réplicas perfeitas ou animais empalhados? Dúvida…

As maquetes do Museu são sensacionais!

As maquetes do Museu são sensacionais!

Outra maquete...

Outra maquete…

Réplicas fidedignas do ambiente natural das espécies.

Réplicas fidedignas do ambiente natural das espécies.

A ala dos dinossauros é uma das preferidas da criançada!

A ala dos dinossauros é uma das preferidas da criançada!

DINO

Pausa: em NY cabem todas as crenças. Essa aí é a maior sinagoga em território americano. "Ame ao próximo como a ti mesmo", diz a inscrição na porta. Vale para todos os credos...

Pausa: em NY cabem todas as crenças. Essa aí é a maior sinagoga em território americano. “Ame ao próximo como a ti mesmo”, diz a inscrição na porta. Vale para todos os credos…

Saindo do Museu, descemos a 5ª Avenida para dar uma olhada nas suas lojas mais famosas. Ali estão todas as grifes que você possa imaginar!

Vai um Armani aí?

Vai um Armani aí?

Pensei em trocar meu Timex de 90 reais por um Rolex, mas o vendedor não quis dar troco...

Pensei em trocar meu Timex de 90 reais por um Rolex, mas o vendedor não quis dar troco…

A 5ª Avenida concentra uma série de pontos turísticos; dentre eles, a deslumbrante Saint Patrick’s Cathedral…

A imponência da Saint Patrick's Cathedral

A imponência da Saint Patrick’s Cathedral

 

Mais de perto...

Mais de perto…

A catedral, uma das maiores dos EUA, foi construída em 1878, no terreno que estava destinado originalmente a ser um cemitério. Com sua fachada em mármore branco, é considerada a mais bela construção neogótica da cidade.

Suas portas de bronze pesam nove toneladas!

Suas belas portas de bronze pesam nove toneladas!

Dentro da catedral, que tem capacidade para 2.800 pessoas, há uma quantidade incrível de esculturas, relevos, altares, além de um majestoso órgão de mais de 7 mil tubos!

A catedral abriga belíssimas peças de arte sacra...

A catedral abriga belíssimas peças de arte sacra…

 

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…altares…

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O portentoso órgão.

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A bela Pietá, do escultor americano William O. Partridge.

A bela Pietá, do escultor americano William O. Partridge.

Depois de relaxarmos no Central Park, conhecermos o Museu de História Natural, admirarmos as vitrines chiques na 5ª Avenida e conhecermos a deslumbrante Catedral de Saint Patrick, adivinha o que nós fomos fazer? Se você pensou: andar mais um pouco, acertou na mosca. Firmes em nosso propósito de só voltarmos para “casa” na hora de dormir, voltamos até a Times Square para comprar os ingressos para o show da noite, novamente com 50% de desconto (hoje era dia de Les Misérables); tarefa cumprida, circulamos mais um pouco.

Uma coisa curiosa sobre Nova Iorque é que você pode ter, literalmente, uma surpresa a cada esquina. Por exemplo: estávamos procurando uma lanchonete da Dunkin Donuts (uma das nossas metas de viagem era comer um donut original); de repente, entramos numa rua de… joalherias. Ao que parece, era algum tipo de reduto judeu; ficamos (claro que a Letícia ficou mais) deslumbrados com aquelas vitrines azuladas, repletas de jóias cravejadas de diamantes. Quando paramos diante de uma delas para admirar um pouco as peças, um cara imediatamente me abordou, com aquele sotaque típico dos judeus que vemos nos filmes: “let’s buy a ring for your wife and put a smile on her face. So she will treat you good, cook for you and clean the house with a big smile”. Aí eu respondi que ela já fazia tudo isso; imediatamente ele replicou: “so you must give her a ring, because she deserves it”. Não é à toa que os judeus são ricos: o cara era realmente bom; ele quase me convenceu ! Eu concordei com ele, mas dei uma desculpa qualquer para sair de fininho; o anel mais barato que ele tinha deveria custar todo o meu orçamento para a viagem!

O belo letreiro do Imperial Theatre anuncia a atração da noite.

O belo letreiro do Imperial Theatre anuncia a atração da noite.

LES MISÉRABLES

Acho que já mencionei que nossos planos para esta viagem incluíam dois espetáculos da Broadway: O Fantasma da Ópera e Les Misérables. E, se já havíamos adorado o Fantasma, Les Misérables nos deixou maravilhados!

Aguardando ansiosos o início do espetáculo!

Aguardando ansiosos o início do espetáculo!

Sou um cara emotivo; e, sem a menor vergonha, confesso que chorei várias vezes durante o espetáculo! Como você deve saber, Os Miseráveis é um musical criado a partir da obra prima do mesmo nome, do gigante da Literatura, Victor Hugo. O romance narra a dramática transformação de Jean Valjean, de ex-condenado rancoroso, violento e vingativo, em benfeitor de toda uma cidade, especialmente da pequena Cosette. A despeito de todos os seus esforços para se tornar um homem digno, Valjean sofre com a ferrenha perseguição do implacável inspetor Javert. A ação tem lugar entre a épica batalha de Waterloo e os motins parisienses da Revolução de 1830; o cenário de convulsão social engrandece os intrincados dramas (aliás, drama é o que não falta em Os Miseráveis!) pessoais que a obra de Victor Hugo aborda.

Começa logo!

Começa logo!

A beleza do cenário

A beleza do cenário

Os Miseráveis é um romance repleto de tragédias, de aventura e de comédia; porém, cristão que sou, a obra me emociona mais por se tratar de uma narrativa de redenção: Jean Valjean, o protagonista, é um prisioneiro condenado a remar nas galés durante 19 anos por ter roubado um pão a fim de alimentar seus sobrinhos famintos; liberto, sofre com o estigma de ex-condenado, e é marginalizado e rejeitado por todos; diante da rejeição do mundo, agressivo e amargurado, só pensa em se vingar de todos e em todos pelas injustiças que sofreu; até que sua vida é completamente transformada por um ato de bondade, de graça, ou seja, de um favor imerecido: ao ser novamente preso após furtar a prataria da casa do Bispo Myriel, Valjean estaria fadado a retornar às galés, onde passaria o resto de seus miseráveis dias; porém, ele é surpreendido pelo gesto do Bispo, que, mil e oitocentos anos depois, fazendo reverberar as palavras do Crucificado, concede-lhe a liberdade para começar uma nova vida:

I commend you for your duty / And God’s blessing go with you. / But remember this, my brother, / See in this some higher plan. / You must use this precious silver / To become an honest man. / By the witness of the martyrs, / By the passion and the blood, / God has raised you out of darkness: / I have saved your soul for God.

Este é o momento crucial da existência de Valjean, o ponto a partir do qual sua vida é transformada pelo perdão e pela graça. Javert, por sua vez, é incapaz de reconhecer a graça; ele representa a Lei inflexível: o criminoso/pecador tem que pagar; não há salvação para ele:

He knows his way in the dark / Mine is the way of the Lord / Those who follow the path of the righteous / Shall have their reward / And if they fall / As Lucifer fell / The flames / The sword!

O implacável Javert

O implacável Javert

O Raskolnikóv de Dostoiévski e o Jean Valjean de Victor Hugo são personagens fictícios; porém, multidões de pessoas ao longo da História –entre as quais eu me incluo- experimentaram a mesma mudança redentora. Como a adúltera, ouviram –ouvimos!- a sentença de salvação: “nem eu tampouco te condeno; vá e não peques mais”. Definitivamente, não há como não se emocionar com Os Miseráveis…

 

Master of The House, comandada pelo patife Thenardier, uma das coreografias mais divertidas da peça.

Master of The House, comandada pelo patife Thenardier, uma das coreografias mais divertidas da peça.

Mas, como eu disse, a peça não é somente drama; a comédia fica por conta do dono da estalagem, o impagável Mestre Thénardier, um patife completo que explora seus clientes até o limite do absurdo. O romance fica por conta do relacionamento entre o estudante revolucionário Marius e Cosette, filha adotiva de Valjean. A peça ainda critica a estupidez das guerras através da bela canção Empty chairs at empty tables, na qual Marius, um dos únicos sobreviventes do sangrento combate na barricada da Rue de La Chanvrerie, lamenta a perda dos companheiros de luta, sacrificados em nome de um ideal:

Oh my friends, my friends forgive me / That I live and you are gone. / There’s a grief that can’t be spoken. / There’s a pain goes on and on. / Phantom faces at the windows. / Phantom shadows on the floor. / Empty chairs at empty tables / Where my friends will meet no more. / Oh my friends, my friends, don’t ask me / What your sacrifice was for / Empty chairs at empty tables / Where my friends will sing no more

Ao final do espetáculo, toda a plateia aplaudiu de pé. Merecidamente!

Bravo!

Bravo!

Depois do show, fomos jantar no Olive Garden, dica do amigo especialista em NY, Nelson Porto; ótima dica, por sinal! Nada melhor do que fechar uma belíssima noite com uma boa refeição…

Aguardando ansiosamente nossa refeição no Olive Garden...

Aguardando ansiosamente nossa refeição no Olive Garden…

Valeu a espera. Estão servidos?

Valeu a espera. Estão servidos?

Por hoje é só.

Em breve, nossos últimos dias na Big Apple.

Até lá!

 

 

 

 

 

MARRECOS MIGRAM PARA O NORTE – NY: Durante o dia, Biblioteca Pública, MoMA… à noite, um Fantasma!

“One belongs to New York instantly, one belongs to it as much in five minutes as in five years.” (Tom Wolfe)

Sup, Abe?

Sup, Abe?

Por eu mesmo:

Eu e a Letícia seguíamos firmes em nossa estratégia desbravadora: acordávamos, tomávamos o café da manhã, colocávamos algumas coisas na mochila e saíamos caminhando pela cidade, cumprindo um roteiro pré-determinado. Em nossos deliciosos dias de andarilhos novaiorquinos, como diziam os antigos, nós andamos mais do que cachorro sem dono!

Eu e a mochila, a mochila e eu.

Eu e a mochila, a mochila e eu, e uma cidade a percorrer.

Nova Iorque sempre foi um dos principais destinos de boa parte dos imigrantes que chegaram ao país em busca do sonho americano; bairros como Chinatown e Little Italy são exemplos da influência alienígena que enriqueceu a cidade, material e culturalmente. É bastante curioso atentar para os diversos sotaques falados nas ruas de NY: Clemence, o motorista que nos levou do JFK ao nosso apartamento, era um jamaicano desinteressado por política; nossos anfitriões, como já mencionei: ele, israelense; ela, de Hong Kong; o motorista que nos levou ao JFK no dia da partida, indiano; enquanto aguardava a Letícia na Macy’s, conversei com um divertido romeno; no metrô, conversei com um oriental… Ou seja, Nova Iorque é uma espécie de Babel moderna.

A cacofonia de sotaques de todo o mundo reverbera ao seu redor. Times Square, NY

A cacofonia de sotaques de todo o mundo reverbera ao seu redor. Times Square, NY

Agora era hora de conhecer a mundialmente renomada 5ª avenida, com suas lojas chiquérrimas e seus edifícios vertiginosos; a imponente catedral de Saint Patrick, a feérica Times Square, a impressionante Grand Central Terminal e assistir um show na Broadway. E, é claro, a Biblioteca Pública de Nova Iorque não poderia ficar fora do roteiro de um aprendiz de escritor…

NEW IORK PUBLIC LIBRARY

Ao longo da Quinta Avenida há inúmeros pontos turísticos; o primeiro com o qual nos deparamos foi justamente a magnífica Biblioteca Pública de Nova Iorque! Guardada por Patience e Fortitude (os valentes sentinelas receberam seus nomes atuais na década de 30; então prefeito, Fiorello LaGuardia deu às esculturas estes nomes pois acreditava serem estas as virtudes de que seus concidadãos precisariam para sobreviver à depressão econômica), dois enormes leões de mármore, a NYPL abriga cerca de cinco milhões de obras.

Feliz igual a pinto no lixo ao me deparar com a Biblioteca Pública de Nova Iorque...

Feliz igual a pinto no lixo ao me deparar com a Biblioteca Pública de Nova Iorque…

...cujas portas são guardadas por dois leões de mármore.

…cujas portas são guardadas por esses dois leões de mármore.

Seguro ao lado de Patience, um dos guardiões da NYPL

Seguro ao lado de Patience, um dos leões que guardam a NYPL

Antes de entrar, pausa para dar uma refrescada.

Antes de entrar, pausa para dar uma refrescada.

A NYPL oferece eventos e exposições, e disponibiliza parte de seu acervo para pesquisa; além disso, conta com 92 filiais espalhadas pela cidade.

Adentrando a NYPL. Com sua licença...

Adentrando a NYPL. Com sua licença…

A riqueza arquitetônica da Livraria.

A riqueza arquitetônica da Livraria.

NYPL

NYPL

Seus belos painéis...

Seus belos painéis…

Assim como outros pontos turísticos de Nova Iorque, a Biblioteca Pública conta com uma loja própria, que vende produtos exclusivos (lembrem-se: estamos no coração do capitalismo; esses caras sabem como ganhar dinheiro!), desde canecas e sacolas a relógios, bússolas e belíssimos suportes de livros; por motivos óbvios, a loja da NYPL foi a que mais gostei, ao lado da loja do Metropolitan; ambas comercializam os produtos mais originais e interessantes para trazer como presentes ou lembranças, desde que você esteja disposto a desembolsar alguns dólares a mais. Na Biblioteca, comprei -claro!- uma réplica de um dos leões de mármore por 35 dólares; está na minha estante, guardando meu modesto acervo…

O bravo Patience guarda, na minha estante, uma edição do Dom Quixote de 1957.

O bravo Patience guarda, na minha estante, uma edição do Dom Quixote de 1957.

É claro que eu, aprendiz de escritor, saí de Vila Velha imbuído de uma importante missão; levar aos novaiorquinos um pouco da esfuziante cultura capixaba; mais especificamente, da cultura canela-verde. Sim: eu jamais perderia a oportunidade de doar um exemplar do meu segundo livro, À noite na Barra, para o bom povo de Nova Iorque; a foto abaixo registra o momento histórico em que a funcionária recebe este magnífico volume que agora engrandece e abrilhanta ainda mais o vasto acervo da NYPL. Estejam à vontade para devorar a obra, cidadãos novaiorquinos!

Contribuindo para o enriquecimento do acervo da NYPL.

Contribuindo para o enriquecimento do acervo da NYPL.

Faça como os novaiorquinos: leia À noite na Barra!

Faça como os novaiorquinos: leia À noite na Barra!

GRAND CENTRAL TERMINAL

Em seguida, partimos para a Grand Central Terminal, a maior estação de trens do mundo em número de terminais; a GCT despeja e acolhe, diariamente, cerca de 750 mil passageiros.

Grand Central Terminal. Cerca de 750 mil pessoas circulam diariamente por aqui.

Grand Central Terminal. Cerca de 750 mil pessoas circulam diariamente por aqui.

Bem vindo à Grand Central Terminal

Bem vindo à Grand Central Terminal

GCT

GCT

O belo relógio quadrifronte da Grand Central

O seu belo relógio quadrifronte

CLOCK

As imensas janelas laterias da GCT possuem 23 metros de altura!

As imensas janelas laterias da GCT possuem 23 metros de altura!

JANELAS GCT

Lembrei daquela piada:

Lembrei daquela piada: “Two tickets to Aparecida, ida, please”…

E, já que estávamos na Grand Central, nós não poderíamos deixar de conhecer -e experimentar- o tradicional Oyster Bar.

A charmosa entrada do Oyster Bar

A charmosa entrada do Oyster Bar

Os deliciosos pães do Oyster Bar...

Os deliciosos pães do Oyster Bar…

...e os ainda mais deliciosos camarões do Oyster Bar!

…e os ainda mais deliciosos camarões do Oyster Bar!

Estão servidos?

Estão servidos?

MUSEU DE ARTE MODERNA (MoMA)

Depois de almoçarmos -muito bem, por sinal!- na Grand Central, partimos para o Museu de Arte Moderna, o MoMA. Fundado em 1929, o museu tem a pretensão de ser o principal museu de arte moderna e contemporânea do planeta,e reúne cerca de duzentas mil peças, de Picasso a Miró, passando por Klimt, Pollock e Van Gogh.

Ao que tudo indica, os novaiorquinos gostam muito desse negócio de serem os maiores…

Esculturas

Esculturas

Esculturas no jardim.

Esculturas no jardim.

Preciso confessar uma coisa: obviamente, sou um completo ignorante no assunto; mas, para mim, o conceito de arte moderna abrange coisas demais, é elástico demais. Às vezes o sujeito não sabe nem desenhar um bonequinho de palitinho ou um pato na lagoa, mas, se amontoar um punhado de lixo no meio de uma sala e chamar aquela estrovenga de “instalação”, pode até ser reconhecido como um grande artista. Assim, o MoMA reúne, ao mesmo tempo, obras de verdadeiros gigantes da arte, ao lado de peças de valor artístico questionável -na minha modestíssima opinião, claro. Sem falar no helicóptero pendurado no meio do salão. Enfim: como diria o meu amigo Nardelli, o que é arte, afinal?

Uma das alas mais importantes do MoMA: esculturas de Picasso

Uma das exposições mais importantes do MoMA: esculturas de Picasso

Menino conduzindo cavalo, de Picasso. Belíssimo quadro, mas acho que o velho Pablo se esqueceu dos arreios...

Menino conduzindo cavalo, de Picasso. Belíssimo quadro, mas acho que o bom e velho Pablo se esqueceu de pintar os arreios…

E, por falar em gigantes: caminhava eu, embevecido, em meio a telas de Picasso, Monet, Miró, Pollock e outros menos cotados, quando, ao virar uma esquina, me deparei com… ela!

Noite Estrelada, um dos mais belos quadros produzidos pelo homem

A Noite Estrelada, um dos mais belos quadros produzidos pelo homem!

Sim, ela! Ninguém mais, ninguém menos que A Noite Estrelada, de Vincent Van Gogh! Confesso que, ao dar de cara com essa pintura, para mim, uma das mais belas obras de arte já produzidas pela mão humana, meus olhos marejaram. Contemplar, ao vivo, as pinceladas circulares do pobre gênio holandês, produziram em mim um impacto difícil de expressar. No caso da Noite Estrelada, o ditado: “uma imagem vale mais que mil palavras” não é, absolutamente, exagero!

A Noite Estrelada ao alcance da mão...

A Noite Estrelada ao alcance da mão…

Em meio a tantas pinturas deslumbrantes, e ao lado da Noite Estrelada, que dispensa maiores apresentações, a que mais me impressionou foi La cittá che sale (The City Raises), de Umberto Boccioni; a tela, que eu nunca tinha visto antes, é um turbilhão de cores vibrantes e pinceladas vertiginosas, cujas formas e contornos se fundem numa explosão de cores e movimento. Absolutamente deslumbrante!

The City Raises, Umberto Boccioni. Deslumbrante!

The City Raises, Umberto Boccioni. Deslumbrante!

ROCKFELLER CENTER

Agora que nós havíamos nos fartado (e isso é lá possível?!) de arte no MoMA, era hora de conhecermos uma das atrações mais famosas de NY…

Empire State Building. de novo!

Empire State Building. De novo!

Não, não estou falando do Empire State Building; só coloquei outra foto dele aí porque, em NY, ele está em todos os lugares…

A extravagância da Trump Tower.

A extravagância da Trump Tower.

Naquela noite, nós iríamos assistir a um espetáculo na Broadway. Nosso roteiro original incluía dois musicais: O Fantasma da Ópera e Les Misérables. Decidimos começar pelo Fantasma, em cartaz há 26 anos. Saindo do MoMA, fomos diretamente à cabine da TKTS na Times Square, preparados para enfrentar uma bela fila; entretanto, para nossa surpresa e felicidade, fomos os primeiros a chegar! Compramos nossos ingressos pela metade do preço (a TDF – Theatre Development Fund, uma organização sem fins lucrativos, vende os ingressos com desconto, somente para sessões de teatro que acontecerão no mesmo dia da compra) e fomos caminhar mais um bocado até a hora do show.

Conhecemos o Rockefeller Center, um complexo de 19 edifícios comerciais que inclui o Radio City Music Hall, onde é gravado o programa Saturday Light Live.

Live from New York! It's Saturday Night Live!!!

Live from New York! It’s Saturday Night Live!!!

Rockfeller Center, com seu Prometeu dourado

O Prometeu dourado que adorna a entrada do Rockefeller Center.

A bela praça no centro do complexo.

A bela praça no centro do complexo.

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Rockefeller Center

Em Nova Iorque, tive uma forte impressão de que a cidade (a despeito de seu evidente gigantismo e das mazelas naturais em uma das maiores metrópoles do mundo) se esforça, se adapta e se transforma para ser amigável, confortável, acolhedora, tanto para os visitantes quanto -talvez ainda mais- para seus próprios habitantes. NY apresenta uma notável quantidade de parques, praças e recantos aconchegantes, voltados para as pessoas; espaços para se sentar e descansar depois de uma refeição, espaços para contemplar uma fonte ou uma estátua ou um jardim ou bosque. O Highline é apenas um destes espaços humanizados, dos quais o Central Park é certamente o maior exemplo; mas falaremos dele em outro post. Sim: por incrível que pareço, Nova Iorque é uma cidade aconchegante; e a praça do Rockefeller Center evidencia esta característica.

Do Rockefeller Center partimos para o Majestic Theatre; no caminho, fiz como os novaiorquinos: entrei numa lanchonete qualquer e comprei uma pizza de 99 cents, sabor pepperone. Em Roma, como os romanos…

O FANTASMA DA ÓPERA

“Give me such shows. Give me the streets of Manhattan!” (Walt Whitman)

O Fantasma da Ópera é a produção mais longeva da Broadway, superando o antigo campeão Cats. O premiado musical já foi apresentado mais de 11 mil vezes! A história de amor e obsessão do Fantasma por sua protegida Christine encanta pela beleza do enredo e das canções e pela atuação dos artistas, além do cenário deslumbrante (a majestosa réplica do candelabro da Paris Opera House tem três metros de largura, pesa uma tonelada e é feito com mais de 6 mil contas de vidro!) e dos efeitos especiais espetaculares. Nem preciso dizer que a Letícia adorou…

…e eu também, é claro.

Por razões óbvias, é proibido fotografar enquanto a peça está sendo encenada. Então, busquei imagens na Internet só para dar um gostinho.

Antes do espetáculo...

Antes do espetáculo…

...e depois.

…e depois.

Esperando o Fantasma chegar.

Esperando o Fantasma chegar.

Assistir um musical da Broadway é legal; pagando a metade do preço é ainda mais legal...

Assistir um musical da Broadway é legal; pagando a metade do preço é ainda mais legal…

Os efeitos especiais transformam o palco em um lago!

Os efeitos especiais transformam o palco em um lago!

A cena do baile, na qual se canta a canção Maskerade, para mim, a mais bonita do musical.

A cena do baile, na qual se canta a canção Maskerade, para mim, a mais bonita do musical.

O dramático confronto final.

O dramático confronto final.

Clap, clap, clap!

Clap, clap, clap!

Depois da peça, voltamos ao Eataly para jantar.

E assim encerramos mais um delicioso dia em Nova Iorque.

No próximo post: Central Park, Museu de História Natural e mais Broadway. Até lá!

MARRECOS MIGRAM PARA O NORTE – AGORA, NY!

Quando você dá de cara com o Flatiron Building, você se dá conta de que está, realmente, em NY...

Quando você dá de cara com o emblemático Flatiron Building, você se dá conta de que está, realmente, em NY…

DEVORANDO A BIG APPLE, CENTÍMETRO POR CENTÍMETRO

Por eu mesmo:

Depois de nos esbaldarmos -e esfalfarmos- nos parques de Orlando, era hora de partir para o nosso objetivo principal desta viagem: Nova Iorque.

Confesso que eu estava um pouco apreensivo; é que, apesar de viver na cosmopolita Vila Velha, que rivaliza com as maiores metrópoles do planeta -só precisando de um Starbucks para finalmente se elevar à categoria de megalópole-, sou meio arredio quando se trata de grandes cidades. E, convenhamos, quando se fala em “cidade grande”, com tudo que a expressão implica, Nova Iorque talvez seja o primeiro nome que surge na mente de qualquer um. Mas, depois de ter vencido outra barreira, o Rio de Janeiro (veja como foi aqui), achei que estava preparado.

Após estudarmos o mapa da cidade, ouvir dicas e conselhos de amigos e pesquisar na Internet, nós havíamos estipulado os pontos que desejávamos conhecer e planejado (na verdade, a Letícia havia planejado; eu já mencionei que, aqui em casa, quem planeja é ela?) o roteiro de todos os nossos dias na Grande Maçã, e nossa ideia era bastante simples: percorrer a cidade a pé, tanto quanto fosse possível. Achamos que, assim, poderíamos desfrutar melhor de cada detalhe visual que Nova Iorque pudesse nos oferecer -e eles são incontáveis!

Antes de prosseguir, um detalhe: a hospedagem em NY é bem cara, e, a menos que você vá ficar no Waldorf Astoria, no Four Seasons ou em estabelecimentos similares, os hotéis oferecem quartos pequenos, geralmente sem café da manhã; exatamente porque o turista que escolhe Nova Iorque, na maioria das vezes, precisa apenas de uma cama para derrubar a carcaça exaurida depois de passar todo o dia e boa parte da noite circulando. Portanto, nós descobrimos que há pessoas que disponibilizam quartos em suas próprias casas para receber turistas; esse tipo de hospedagem é muito mais econômico do que os hotéis normais. Claro que, para uma família grande, esta opção não deve ser viável; além disso, você corre o risco de, por exemplo, eventualmente se deparar com o banheiro ocupado. E será obrigado a se comunicar em inglês, pois, ao contrário dos hotéis, seus hospedeiros não dispõem de funcionários poliglotas. Por outro lado, você tem a oportunidade de interagir com autênticos novaiorquinos, inclusive para te ajudar em alguma eventual dificuldade. E, last but not least, economiza uma grana considerável.

Como éramos apenas eu e Letícia, achamos que seria interessante; e, no final das contas, ambos ficamos bastante satisfeitos com a escolha. Optamos por nos hospedarmos no apartamento de um jovem casal que já era um prenúncio do que NY iria nos proporcionar: um delicioso e variado caldo cultural. Yardi é natural de Israel; e a simpática e serera Yin, de Hong Kong. Ele, judeu; ela budista… e nossos anfitriões ainda ofereciam um singelo, porém delicioso e substancial café da manhã diário. Good call!

Como eu já mencionei, tínhamos um roteiro e um plano -bastante simples, por sinal: percorrer NY de cabo a rabo. A pé. Ou, ao menos, percorrer a maior distância possível nos dias que passaríamos ali. Eu já sabia que a ilha de Manhattan conta, em seu ponto mais largo, meros 3,9 quilômetros; distância que nós poderíamos percorrer tranquilamente.

Assim, no primeiro dia -chegamos ao “nosso” apartamento por volta do meio-dia; e feitas as devidas apresentações e recebidas as necessárias orientações (nada de sapatos dentro de casa, e outras recomendações do gênero), começamos a executar nosso plano de conquista da cidade. Nossa estratégia era simples, e se repetiu todos os dias: acordávamos, tomávamos o café da manhã, colocávamos a mochila nas costas com algumas coisas (o mapa, o guia da cidade, casacos), saíamos caminhando, de acordo com o roteiro daquele dia, e voltávamos à noite, na hora de dormir. Acredito que tenhamos feito, literalmente, cerca de uma maratona por dia; ainda bem que nós estamos em dia com a academia…

Nova Iorque é uma delícia! Falo como turista de baixa quilometragem, pois, à exceção do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e, claro, Vila Velha, não conheço nenhuma outra grande cidade; mas, apesar de alguns pesares -da sujeira, das obras espalhadas por todo lado, das buzinas (NY é uma cidade barulhenta; tanto que nossos anfitriões incluíram, no kit de boas vindas, tampões de ouvido… além disso, sabe aquelas sirenes que você ouve ao fundo em qualquer filme ou seriado ambientado em NY? Elas estão realmente lá, a qualquer hora do dia ou da noite! Sirenes de carros de bombeiros, de ambulâncias, de viaturas policiais; parece que sempre tem algum lugar pegando fogo, ou alguém passando mal, ou sendo preso!) posso dizer que adorei a cidade.

Tudo em Nova Iorque é enorme, tudo é amplificado, mastodôntico, titânico; caminhando em suas ruas, olhando para cima, a sensação é de que alguém te arremessou dentro do seriado Terra de Gigantes (tudo bem, eu sei que a maioria de vocês não tem a menor ideia do que eu estou falando; mas dá uma olhada no Google e você vai entender).

Alguém aí se lembra?

Alguém aí se lembra?

Seus prédios arrogantes se erguem para alcançar os céus; seus museus pretendem abrigar toda a História e beleza que existe, suas numerosas igrejas abrem as portas para acomodar toda a fé do mundo, e também muitas incertezas. Na verdade, acho que a questão não é arrogância, mas a consciência de que é possível construir coisas grandiosas. Sim, Nova Iorque, com seus incontáveis e imponentes prédios, museus, teatros, parques, igrejas, monumentos, é um elogio à capacidade humana. A cidade proclama para o mundo: YES, WE CAN!

GRAMERCY DISTRICT E CHELSEA

O Flatiron Building é, para mim, uma das construções mais icônicas de NY; o famoso prédio triangular foi, inclusive, cenário de uma das melhores obras do genial ilustrador Will Eisner...

O Flatiron Building é, para mim, uma das construções mais icônicas de NY; o famoso prédio triangular foi, inclusive, cenário de uma das melhores obras do genial ilustrador Will Eisner…

O livro é esse aqui.

O livro é esse aqui.

Pela nossa localização (na rua 23, lado Leste. Aliás, meus sinceros agradecimentos aos fundadores de NY: suas ruas e avenidas numeradas facilitam imensamente o trabalho dos transeuntes; mesmo um completo sem-direção como eu consegue se localizar na cidade), o Gramercy District e Chelsea eram nossos primeiros destinos. O Flatiron Building ali de cima, um dos primeiros arranha-céus construídos em Nova Iorque (foi inaugurado em 1902) e um dos seus principais cartões postais, ficava a poucos quarteirões do apartamento, e vê-lo pela primeira vez, todo impávido e charmoso, foi como receber as boas vindas da cidade.

Mais uma do Flatiron. Desculpem, mas eu adoro esse edifício!

Mais uma do Flatiron. Desculpem, mas eu adoro esse edifício!

Depois de contemplarmos a beleza arquitetônica do prédio triangular, prosseguimos em direção a Chelsea, onde iríamos percorrer o Highline.

O Highline, uma espécie de calçadão suspenso...

O Highline, uma espécie de calçadão suspenso…

O Highline é um parque elevado de cerca de 2,5 km, construído sobre uma antiga linha férrea abandonada. O charme do lugar fica por conta da vegetação abundante, do mobiliário requintado, dos grafites que cobrem as paredes ao seu redor, da arquitetura arrojada do entorno e da possibilidade de ver a cidade de um ponto mais alto.

Highline

Highline

Entardecer em NY...

Entardecer em NY…

Uma visão panorâmica de NY

Uma visão panorâmica de NY

No Highline tem muitos lugares para se dar uma pausa na caminhada e apreciar o visual.

No Highline tem muitos lugares para se dar uma pausa na caminhada e apreciar o visual.

Do Highline fomos direto ao Chelsea Market, um complexo de lojas instalado no antigo prédio da Nabisco (sigla para National Biscuit Company; aposto que você não sabia dessa!), que fabrica os deliciosos biscoitos Oreo. O Chelsea Market é uma espécie de armazém de secos & molhados gigante e diversificado onde você encontra de tudo em termos de alimentação e bebidas, além de peças de arte e roupas. Ao perguntarmos numa loja se era possível degustar uns chocolates, o cara respondeu: “of course; I am your drug dealer, and I am here to adict you”. Dito e feito: os chocolates eram absolutamente delirantes!

Chelsea Market, um mundo de sabores.

Chelsea Market, um mundo de sabores. Esse rango demora muito?

Chelsea Market

Chelsea Market

Mais Chelsea Market.

Mais Chelsea Market.

Um mundo de sabores te aguarda lá dentro...

Um mundo de sabores te aguarda lá dentro…

FINANCIAL DISTRICT

O Financial District fica no extremo Sul da ilha de Manhattan (Lower Manhattan); é lá que se concentram os bancos e instituições financeiras de NY, como a Bolsa de Valores, situada naquela que deve ser a rua mais famosa do mundo, Wall Street. Lá embaixo você também encontra o Charging Bull, a Trinity Church, o One World Trade Center, o charmoso Battery Park, o World Financial Center, entre outras atrações. Ah: é de lá que partem os passeios para a estátua da Libertade. Também foi lá (mais especificamente, no belíssimo World Financial Center; ainda mais especificamente, na Umami Burguer) que nós comemos o melhor hambúrguer de nossas vidas…

Dizem que tocas as, digamos, balls do bull traz boa sorte. Ainda bem que eu não sou supersticioso...

Dizem que tocar as, digamos, balls do bull traz boa sorte. Ainda bem que eu não sou supersticioso…

Trinity Church, uma das belas igrejas de NY.

Trinity Church, uma das belas igrejas de NY.

Ainda a Trinity...

Ainda a Trinity…

... e ainda um pouco mais.

… e ainda um pouco mais…

... e a última da Trinity.

… e a última da Trinity.

Uma das coisas legais em NY é observar sua riqueza arquitetônica. Para todo lado que você olha, vê uma bela construção. Esse aí em nem lembro o que é; se não me engano, é um famoso hotel...

Uma das coisas legais em NY é observar sua riqueza arquitetônica. Para todo lado que você olha, vê uma bela construção. Esse aí eu nem lembro o que é; se não me engano, é um famoso hotel…

O arrojado One World Trade Center.

O arrojado e gigantesco One World Trade Center.

Lembra quando eu falei da Terra de Gigantes? Pois é...

Lembra quando eu falei da Terra de Gigantes? Pois é…

Arrojo arquitetônico.

Novas formas…

O belíssimo World Financial Center

O belíssimo World Financial Center…

... com suas enormes janelas. NY é ampla, espaçosa, se abre para receber seus visitantes...

… com suas enormes janelas. NY é ampla, espaçosa, se abre para receber seus visitantes…

... que parecem querer voar.

… que parecem ganhar asas.

Não se atreva a deixar o WFC sem degustar um hambúrguer do Umamis Burger!

Não se atreva a deixar o WFC sem degustar um hambúrguer do Umamis Burger!

NY tem uma infinidade de praças com incontáveis chafarizes, estátuas...

NY tem uma infinidade de praças com incontáveis chafarizes, estátuas…

Em seguida, partimos para uma caminhada sobre a charmosa Ponte do Brooklyn. Concluída em 1883, foi a primeira ponte de aço do mundo, e era a maior ponte suspensa do mundo. Robert Odlum foi o primeiro maluco a saltar de lá, em razão de uma aposta. Provavelmente, alguém bêbado apostou que ele morreria se pulasse, e ele, ainda mais bêbado, apostou que não. Odlum perdeu.

Atravessando charmosa ponte, compreendemos o poeta Walt Whitman, para quem aquela vista era o

Atravessando charmosa ponte, compreendemos o poeta Walt Whitman, para quem aquela vista era o “melhor e mais eficiente remédio” que sua alma havia experimentado…

Segue o fluxo.

Segue o fluxo.

A vista que encantou o poeta. Se bem, que, em sua época, não havia tantos edifícios...

A vista que encantou o poeta. Se bem, que, em sua época, não havia tantos edifícios…

... se bem que paisagem que EU vi da ponte foi muito estonteante.

… além disso, a paisagem que EU vi da ponte foi muito mais estonteante.

Da ponte do Brooklyn, passamos por alguns prédios indispensáveis para Letícia, àquela altura já uma advogada: as Cortes novaiorquinas.

“The true administration of justice is the firmest pillar of good government”, diz o frontispício da Suprema Corte de Nova Iorque. Conheço alguns juízes que podiam decorar estas palavras…

“We must not use force till just laws are defied”, diz a inscrição aos pés do guerreiro de pedra…

... frase que deixou a advogada admirada.

… frase que deixou a advogada admirada.

Sede da Liga da Justiça. O Batman tinha acabado de entrar.

Sede da Liga da Justiça. O Batman tinha acabado de entrar.

CORTE 5

A magnitude dos prédios da Justiça...

A magnitude dos prédios da Justiça…

Ao anoitecer, era hora de buscarmos algum lugar para comer: encontramos o Eataly, uma espécie de mercado italiano, super concorrido, que oferece restaurantes, bebidas, pães, embutidos, sorvetes, frutas e uma enorme variedade de produtos alimentícios.

O prato que nós comemos no Eataly. Não me lembro o nome -porque eu também não sou obrigado a lembrar de tudo!-, mas eu lembro que estava uma delícia...

O prato que nós comemos no Eataly. Não me lembro o nome -porque eu também não sou obrigado a lembrar de tudo!-, mas eu lembro que estava uma delícia…

Depois, voltamos caminhando para casa, exaustos.

Acho que você deve ter sentido falta de uma foto…

Bem, aí está ele: o ubíquo Empire State Building!

Ei-lo!

Ei-lo!

Acho melhor ficar por aqui, pois este post já cobriu dois dias de viagem e está ficando meio longo.

Em breve, mais Nova Iorque.

Até lá!

Já pensou em dormir pendurado em um penhasco?

Publicado no Globo:

E aí, encarava? Eu tô fora!

Para os aventureiros de plantão, essa pode ser uma boa opção de hospedagem nada convencional

Editora Globo (Foto: Editora Globo)

Quem não vive sem fortes emoções e adora uma novidade pode programar a próximaviagem de férias para o Peru. A empresa de turismo Natura Vive instalou recentemente três cápsulas acima do Vale Sagrado de Cusco para receber seus hóspedes mais corajosos e interessados em uma hospedagem exclusiva. Feitas de policarbonato e alumínio, cada uma mede 24 x 8 metros e são resistentes às intempéries. E o conforto não foi deixado de lado, pois oferecem quatro camas, uma sala de jantar e um banheiro privado, separado por uma parede.

Editora Globo (Foto: Editora Globo)

Além disso, as suítes possuem seis janelas e quatro dutos de ventilação, que garantem uma temperatura agradável no interior. O sistema de iluminação funciona por meio de quatro lâmpadas e uma luminária de leitura, alimentadas por painéis que captam a energia solar. Mas a vista deslumbrante da região não é conquistada tão facilmente. Para chegar até às cápsulas, os viajantes precisam subir uma escada de aço que fica cerca de 120 metros de altura do solo. Interessou? Então se prepare para desembolsar aproximadamente 300 dólares pela diária.

  (Foto:  Natura Vive / divulgação)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)
Editora Globo (Foto: Editora Globo)

EU, O RIO E O REI DO RIO

Por eu mesmo:

UM CERTO TRAUMA…

Durante décadas, evitei o Rio de Janeiro; minhas duas viagens anteriores à Cidade Maravilhosa haviam sido traumáticas. Primeiro, porque fora lá visitar Betão, meu grande amigo da juventude, em tratamento de um câncer que tiraria sua vida; segundo, porque lá presenciei uma autêntica cena de Faroeste Caboclo (alô, Renato Russo!), assistindo, atônito, a morte de um rapaz desconhecido, vítima de um tiro no pescoço. Desde então, o Rio de Janeiro, para mim, virou sinônimo de violência urbana, de falência do Estado. E, convenhamos: o noticiário, assim como as estatísticas (segundo as quais uma pessoa é assaltada a cada 4 minutos nas ruas da cidade) colaboram muito para a formação de opiniões assim…

Porém, eu e a Senhora Marreco estávamos comemorando doze anos de casamento, com pouquíssimas viagens no período; resolvemos então celebrar em grande estilo. Entre a cara e distante Europa e os (assim pensávamos; as constantes altas no preço do dólar não vem colaborando muito…) menos caros e menos distantes Estados Unidos, decidimos pela pulsante, exuberante Nova Iorque. Essa opção implicava em uma passadinha obrigatória no Consulado americano, onde, como se sabe, aquele país expede (ou nega) vistos de entrada para os estrangeiros que pretendam visitá-lo.

Pois bem: entrevista agendada, taxas pagas (186 dólares por cabeça, se não me engano: ou seja, mais de mil dilminhas já consumidas, sem a garantia de obter o visto), a Senhora Marreco tratou dos detalhes da escala no Rio: passagens aéreas e hospedagem garantidos, lá fomos nós. Confesso: a perspectiva de andar pelas ruas da capital fluminense me preocupava mais do que circular pela Big Apple. E, no avião, já próximo da aterrissagem, meus temores pareciam se confirmar: conversando com a passageira do assento ao seu lado, moradora da cidade, Letícia perguntou onde ficava o Consulado; a senhora nos informou que era a poucas quadras dali. Perguntei-lhe, então, se era possível ir à pé; ela respondeu que era melhor pegarmos um táxi; andar ali seria perigoso… Axl Rose me veio imediatamente à cabeça: Welcome to the jungle… Pegamos o táxi, pagamos oito reais e chegamos ao nosso destino(?); e foi lá que a fama de cidade perigosa se confirmou pela primeira -e única- vez nesta viagem: estive a ponto de perder a vida!

CORRENDO RISCO DE VIDA

Explico: chegamos ao local determinado para o cadastramento biométrico e a fotografia; na fila, conversa vai, conversa vem, após alguns minutos descobrimos que havíamos ido para o lugar errado! A biometria, primeira etapa da concessão do visto americano para turistas, é realizada no Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto, o CASV, localizado no bairro de Humaitá, enquanto a entrevista em si é feita no Consulado Geral dos EUA no Rio, no bairro Castelo -próximo ao Santos Dumont, para onde fomos. Para a minha sorte, seguindo o conselho da Senhora Marreco, eu havia agendado a biometria para as 9:30; tínhamos tempo; pegamos um táxi e conseguimos chegar antes do horário. Se nós tivéssemos perdido a viagem, Letícia teria me matado! Foi por pouco; viram como o Rio pode ser perigoso?

APESAR DE TUDO -E TUDO É MUITO!- O, CANTOR ESTAVA CERTO:  O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO

Fora esse pequeno contratempo, passear no Rio foi maravilhoso. Obviamente, para os moradores, as coisas são um tantinho mais complicadas; porém, a cidade é um destino turístico sensacional. Como eu já mencionei, estávamos comemorando 12 anos de casamento, e não viajávamos havia muito tempo; resolvemos, então, “tirar onda de bacana” e nos hospedamos no Caesar Park, em Ipanema. Excelente escolha! Staff muito bem educado, acomodações confortáveis, café da manhã excelente -e caro! Tudo vale a pena quando a alma não é pequena, diria o poeta; e, no nosso caso, valeu cada centavo. E não foram poucos…

Tomar café da manhã com essa vista…

Rio e surfe, tudo a ver: coleção de pranchas e fotos de surfe decoram o lobby do Caesar park

Rio e surfe, tudo a ver: coleção de pranchas e fotos de surfe decoram o lobby do Caesar park

depois de andar igual a cachorro sem dono, pausa para um descanso no hotel.

depois de andar igual a cachorro sem dono, pausa para um descanso no hotel.

O CENTRO DO RIO: BIBLIOTECA NACIONAL, THEATRO MUNICIPAL E OTRAS COSITAS MÁS…

Missão biometria cumprida, check in no hotel feito, era hora de conhecer a Cidade Maravilhosa. E, como nós pretendemos percorrer Manhattan basicamente a pé, resolvemos caminhar -muito! pelas ruas do Rio. Andamos pelo bairro de Ipanema, apreciando a paisagem e investigando as opções gastronômicas; depois, partimos para o primeiro destino turístico programado: uma visita à Biblioteca Nacional. Fundada em 1810, considerada pela Unesco uma das 10 maiores bibliotecas nacionais do mundo, é a maior da América Latina. Seu acervo de cerca de 15 milhões -sim, você leu direito!- inclui peças inestimáveis, como a primeira edição d’Os Lusíadas, de 1572, e a Bíblia de Mogúncia, impressa em 1462.

Do alto destas galerias, 15 milhões de livros vos contemplam!

Do alto destas galerias, 15 milhões de livros vos contemplam!

A beleza e elegância arquitetônica da Biblioteca.

A beleza e elegância arquitetônica da Biblioteca.

O acervo da Biblioteca conta com exemplares raríssimos!

O acervo da Biblioteca conta com exemplares raríssimos!

Esse aí é o Max. Sabe tudo da Biblioteca Nacional!

Esse aí é o Max. Sabe tudo da Biblioteca Nacional!

A belíssima fachada do Theatro Municipal

A belíssima fachada do Theatro Municipal

Ainda o Theatro...

Ainda o Theatro…

CONFEITARIA COLOMBO

Terminada a visita à Biblioteca Nacional, era hora de conferir um dos cartões postais gastronômicos mais tradicionais da Cidade: a deliciosa e concorridíssima Confeitaria Colombo, desde 1893 enchendo a pança de cariocas e turistas com as mais variadas e deliciosas guloseimas!

Na porta da Colombo; lá dentro, fomos de camarão empanado e mil folhas. Mil sabores!

Na porta da Colombo; lá dentro, fomos de camarão empanado e mil folhas. Mil sabores!

À noite, andamos mais -muito mais!- à procura de um bom local para comer. Uma dica importantíssima: POR FAVOR, escolha um calçado adequado para caminhar! Eu esqueci de levar meus tênis; ao final do dia, até minhas unhas dos pés doíam!

O RIO TEM PRAIAS, TEM JARDIM BOTÂNICO, TEM FEIJOADA, TEM O REI…

As praias cariocas dispensam comentários; estão entre as mais belas do mundo!

Ipanema sem palavras.

Ipanema sem palavras.

Porém o Rio é mais do que isso…

No Rio tem o Jardim Botânico!

Momentos de quietude em meio a árvores majestosas; eis o Jardim Botânico...

Momentos de quietude em meio a árvores majestosas; eis o Jardim Botânico…

Cidade maravilhosa, cheia de orquídeas mil... Orquidário do Jardim Botânico

Cidade maravilhosa, cheia de orquídeas mil… Orquidário do Jardim Botânico

Cachoeira, vitórias-régias, caramanchão de pedras, eu e ela...

Cachoeira, vitórias-régias, caramanchão de pedras, eu e ela…

No Rio tem um cantinho aconchegante para comer bem em cada esquina!

Na

Na “Da Casa da Táta”, na Gávea, você toma um café da manhã ou lanche da tarde delicioso com um preço honesto…

No Rio tem Chez Anne…

Mil folhas de creme do Chez Anne. Mamma mia!

Mil folhas de creme do Chez Anne. Mamma mia!

No Rio tem o corneteiro Luiz Lopes!

A estátua do corneteiro Luís Lopes, nas calçadas de Ipanema.

A estátua do corneteiro Luís Lopes, nas calçadas de Ipanema.

No Rio tem feijoada no sábado!

Vai uma feijoada aí?

Vai uma feijoada aí?

E, claro, no Rio tem Starbucks!

Sem comentários.

Sem comentários.

No segundo dia, dei de cara com esse sujeito aí da foto:

Tá de brinquêichon to me? Papai Joel, o rei do Rio!

Tá de brinquêichon to me? Papai Joel, o rei do Rio!

Sim, ele mesmo: o ex-treinados da seleção Sul-africana, garoto propaganda da Procter & Gamble e Pepsi, Papai Joel, o Rei do Rio, Joel Santana em pessoa! Mandei às favas minha discrição e meu respeito pela privacidade alheia e, cheio de desculpas, elogios e salamaleques, pedi para tirar essa foto com o técnico campeão carioca por todos os quatro grandes times do Rio, um dos caras mais irreverentes do futebol brasileiro. Revelei que era atleticano, e ele me disse aquilo que toda a MASSA já sabe: o meu GALO vai ser campeão brasileiro esse ano!

Quando eu estava indo embora do hotel, encontrei esse camarada aí fazendo check in. Mais uma vez, mandei a discrição às favas e pedi para tirar uma foto com o maior jornalista da televisão brasileira. Fera!

Eu e William Waack, prontos para derrubar o Governo.

Eu e William Waack, prontos para derrubar o Governo.

Pois é. O Rio de Janeiro é isso aí. E mais um tantão de coisas além.