AS melhores reações ao episódio final de Game of Thrones!

Achei lá no sensacional Bored Panda (e traduzi):

Quando Jaime e Cersei Lannister foram pegos no flagra pelo jovem Bran Stark lá atrás na primeira temporada de Game of Thrones, todo mundo torceu o nariz para a tela (e, se você não fez isso, deve ter algum problema. Afinal, ELES SÃO IRMÃOS, PÔ!). Mas, quando Jon Snow, também conhecido como Aegon Targaryen, foi parar na cama de Daenerys Targaryen, também conhecida como sua TIA, na maluca sétima temporada da série, o coração da galera derreteu. Menos, é claro, daquele pessoal maluco que acha haver alguma coisa muito errada com incesto. Mas, como você pode ver nessas reações hilárias ao episódio Sete, também conhecido como O Dragão e o Lobo, a galera tem mais do que falar além da complicada vida amorosa do casal Jonerys!

Obs.: Deixei a melhor por último…

 

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ENQUANTO ESPERO

Por eu mesmo:

 

Chego do trabalho. Não encontro a chave no local combinado. Serei obrigado a esperar alguns minutos até que a esquecida Senhora Marreco volte da academia. Estoico, apenas estalo um muxoxo –na concepção angolana da palavra, bem entendido- e me preparo para a espera. Estou vestindo o uniforme de volta do trabalho, ou seja, bermuda “de surfista” e camiseta.

Enquanto espero, colo o corpo o máximo que consigo no vão da porta; venta um vento forte e frio para os elevados padrões capixabas de temperatura.

Enquanto espero observo as nuvens, procurando nas formas as naves espaciais que outros veem com tanta facilidade. Sou mais cego ou menos crédulo; no final dá tudo na mesma.

Observo os dois coqueiros sacudidos pela ventania que vem do Sul, esse sopro que prende as pessoas em casa e liberta as estátuas andantes nas madrugadas de inverno da Barra do Jucu. Os coqueiros parecem dois pássaros chacoalhando suas vinte asas desordenadamente, ou parecem dois pássaros chacoalhando suas vinte asas de acordo com a secreta ordem das intrincadas leis que regem o secreto Universo. Pelo visto e escrito a espera vai ser longa.

Enquanto espero, se aproximam um homem, magro, de bermuda de surfista, camisa de malha e chinelos de dedo, trazendo pela mão uma garotinha, magra, de bermuda, chinelos de dedo mas coberta por um casaquinho dotado de capuz. Fazendo uso de toda a minha capacidade de observação, descubro que são pai e filha e que chegam para esperar a esposa de um e mãe da outra sair do trabalho.

Minha rua é uma rua sem saída. Uma ladeira sem saída. No final –no fundo- da rua, uma clínica. Psiquiátrica. Recebe e trata pacientes dependentes químicos em estado grave. Já vimos e ouvimos cada uma que só vendo e ouvindo, meu chapa.

A rua ser ladeira e ser sem saída, o fim da rua dar na clínica, o fim da rua ser a clínica, deve ou pode ser uma metáfora para alguma coisa, mas eu prefiro deixar essa por sua conta. E risco.

Enquanto espero, entreouço trechos do diálogo. O pai lê o nome da clínica para a filha. Ela faz uma pergunta, ele tenta explicar o que acontece ali –isso vai ficar interessante, penso. É uma clínica para tratamento de viciados, ele explica. O que é isso, ela pergunta. Me distraio e perco a resposta. Ele prossegue: é um lugar onde as pessoas recebem tratamento psiquiátrico, ele diz. O que é isso, ela pergunta. É quando alguém está em surto, explica. Surdo?, ela pergunta. Sur-to, ele replica. Perco mais um pedaço da conversa; parece que o pai busca um assunto menos espinhoso. Subitamente, eles chegam à teoria da relatividade do tempo; ele explica que a melhor forma de fazer o tempo passar mais rápido é trabalhando. Provavelmente ele está certo.

A esposa chega. A filha corre e a abraça e conta alguma coisa sobre algum assunto lá deles. O homem passa o braço em redor do pescoço da mulher, que passa o braço em redor do pescoço da criança e lá se vão eles, vida afora, enlaçados, enlevados, conversando sobre as coisas lá deles.

E você aí, achando que não existe mais ternura nesse mundo.

Existe sim.

É só a gente observar enquanto espera.

 

Fragmentos

— Acha que lhe é impossível ver o reino do bem e da verdade sobre a terra.
Também eu não acreditava em tal coisa e não é possível admiti-lo se se considerar
a nossa vida como o fim de tudo. Sobre a terra, principalmente sobre a terra —
dizia ele, apontando para os campos —, não há verdade: tudo é mentira e
maldade. Mas no universo, no conjunto do universo é a verdade que reina. Nós
somos por um momento filhos da terra, mas eternamente somos filhos do
universo. Não sentirei eu, no fundo da minha alma, que sou uma parte deste todo,
enorme e harmonioso? Não sentirei eu que nesta imensa e infinita quantidade de
seres, através da qual se manifesta a divindade ou a suprema força, o que vem a
dar no mesmo, eu sou um fuzil, um degrau da escada dos seres que vai do mais
ínfimo ao mais elevado? Se eu vejo, se vejo claramente esta escada que vai da
planta até ao homem, porque é que eu hei-de partir do princípio de que ela se
detém precisamente em mim em vez de alcançar sempre mais longe, cada vez
mais longe? Eu sinto em mim que, pela mesma razão de que nada se perde no
universo, também eu não posso desaparecer e que continuarei a ser para todo o
sempre como sempre tenho sido. Sinto que além de mim e para além de mim há
espíritos vivos e que é nesse universo que reside a verdade.
— Sim, é a doutrina de Herder — interveio André. — Mas, meu caro, não é
essa doutrina que me convence: a vida e a morte, sim. O que me convence é ver
urna criatura a quem queremos muito, a quem muito estamos presos, para com
quem nos sentimos culpados e de que esperamos remir o mal que lhe fizemos — e
ao dizer estas palavras a sua voz tremia e desviava a vista — e que de um
momento para o outro começa a sofrer, a padecer tremendas dores e deixa de
existir… Porquê? É impossível que não haja uma resposta para isto! E eu estou
convencido de que há… Eis o que me convence, eis o que me convenceu — concluiu
ele.
— Claro, claro — repetiu Pedro. — Mas não é isso precisamente que eu estive
a dizer?
— Não. O que eu quero dizer é que não são os raciocínios que me convencem
da necessidade duma vida futura, mas este fato apenas: o de irmos pela vida fora
de mão dada com um ser humano, e este ser, de repente, desaparecer além, no
nada, e então determo-nos diante desse abismo e ficarmos a olhar. E eu, eu olhei…
— E então? Sabe que há um além, que há alguém. Além é a vida futura. Esse
alguém é Deus.
O príncipe André permanecia calado. Havia muito já que a carruagem e os
respectivos cavalos tinham atingido a outra, margem, que estes já estavam de
novo atrelados, que o Sol já mal se via no horizonte e que a geada do crepúsculo
começava a cobrir de estrelas de gelo o lamaçal do atracadouro, e ainda Pedro e.
André, com grande espanto dos lacaios e dos barqueiros, continuavam no barco
entretidos a falar.
— Se Deus existe, se há uma vida futura, a verdade existe, existe a virtude, e
a suprema felicidade do homem consiste no esforço para as alcançar. É preciso
viver, é preciso amar, é preciso crer — dizia Pedro —, pois não vivemos apenas
nesta hora, sobre este pedaço de terra, mas sempre vivemos e eternamente
havemos de viver, além, no Todo.— E apontava para o céu.
André continuava apoiado à borda do barco e ouvia Pedro sem deixar de fitar
os reflexos vermelhos do sol poente nas águas cada vez mais azuis. Pedro calou-se.
A serenidade era completa. Há muito que o barco estava atracado e não se ouvia
senão o tênue ondular da superfície líquida batendo de encontro ao fundo da
embarcação. A André afigurou-se-lhe que aquele sussurro confirmava o que dizia
Pedro: «É a verdade, acredita.»
Soltou um suspiro e envolveu num olhar de criança, luminoso e terno, o rosto
de Pedro, muito corado e vitorioso, e como sempre intimidado diante da
superioridade do amigo.
— Sim, se ao menos assim fosse! — exclamou. — Vamos, o carro espera-nos. —
E, pondo os pés em terra, soergueu os olhos para o céu que Pedro lhe apontara e,
pela primeira vez depois de Austerlitz, tomou a ver aquele céu profundo e eterno,
o céu que havia contemplado estendido no campo de batalha, e sentimentos há
muito nele adormecidos, melhores sentimentos, despertaram subitamente na sua
alma, como numa ressurreição de alegria e juventude. Entregues aos hábitos
quotidianos da vida, todas as suas tendência íntimas se haviam desvanecido pouco
a pouco, mas, embora não tivesse sabido nutri-las, o certo é que continuava a
senti-las vivas dentro de si. Desta sua conversa com Pedro passou a datar uma
vida que, se exteriormente parecia a mesma, no seu foro íntimo passara a ser
completamente nova.

GUERRA E PAZ

Lev Tólstoi, Guerra e Paz

Fragmentos

A vida atual está contaminada até as raízes. O homem usurpou o lugar das
árvores e dos animais, contaminou o ar, limitou o espaço livre. Mas o pior está
por vir. O triste e ativo animal pode descobrir e pôr a seu serviço outras forças da
natureza. Paira no ar uma ameaça deste gênero. Prevê-se uma grande riqueza…
no número de homens. Cada metro quadrado será ocupado por ele. Quem se
livrará da falta de ar e de espaço? Sufoco só de pensar nisto!
E infelizmente não é tudo.
Qualquer esforço de restabelecer a saúde será vão. Esta só poderá pertencer
ao animal que conhece apenas o progresso de seu próprio organismo. Desde o
momento em que a andorinha compreendeu que para ela não havia outra vida
possível senão emigrando, o músculo que move as suas asas engrossou-se,
tornando-se a parte mais considerável de seu corpo. A toupeira enterrou-se e todo
o seu organismo se conformou a essa necessidade. O cavalo avolumou-se e seus
pés se transformaram em cascos. Desconhecemos as transformações por que
passaram alguns outros animais, mas elas certamente existiram e nunca lhes
puseram em risco a saúde.
O homem, porém, este animal de óculos, ao contrário, inventa artefatos
alheios ao seu corpo, e se há nobreza e valor em quem os inventa, quase sempre
faltam a quem os usa. Os artefatos se compram, se vendem, se roubam e o
homem se torna cada vez mais astuto e fraco. Compreende-se mesmo que sua
astúcia cresça na proporção de sua fraqueza. Suas primeiras máquinas pareciam
prolongamentos de seu braço e só podiam ser eficazes em função de sua própria
força, mas, hoje, o artefato já não guarda nenhuma relação com os membros. E
é o artefato que cria a moléstia por abandonar a lei que foi a criadora de tudo o
que há na Terra. A lei do mais forte desapareceu e perdemos a seleção salutar.
Precisávamos de algo melhor do que a psicanálise: sob a lei do possuidor do
maior número de artefatos é que prosperam as doenças e os enfermos.
Talvez por meio de uma catástrofe inaudita, provocada pelos artefatos,
havemos de retornar à saúde. Quando os gases venenosos já não bastarem, um
homem feito como todos os outros, no segredo de uma câmara qualquer neste
mundo, inventará um explosivo incomparável, diante do qual os explosivos de
hoje serão considerados brincadeiras inócuas. E um outro homem, também feito
da mesma forma que os outros, mas um pouco mais insano que os demais,
roubará esse explosivo e penetrará até o centro da Terra para pô-lo no ponto em
que seu efeito possa ser o máximo. Haverá uma explosão enorme que ninguém
ouvirá, e a Terra, retornando à sua forma original de nebulosa, errará pelos céus,
livre dos parasitas e das enfermidades.

Ítalo Svevo, A Consciência de Zeno

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Fragmentos

Passei então a dar atenção à minha vizinha, Alberta. Falamos de amores. O
assunto interessava-lhe na teoria, e a mim, pelo menos naquele momento, não
me interessava na prática. Além do mais, era agradável falar dele. Pediu-me
que lhe expusesse algumas ideias e descobri de repente uma que me pareceu
provir diretamente de minha experiência do dia. A mulher era um objeto que
variava de preço mais que qualquer ação da Bolsa.
Alberta não me compreendeu bem e pensou que estivesse repetindo uma
coisa já sabida de todos, ou seja, que o valor da mulher variava com a idade.
Quis explicar-me com mais clareza: a mulher podia ter alto valor à certa hora da
manhã, nenhum valor ao meio-dia, para valer à tarde o dobro do que valera de
manhã e acabar à noite por ter valor negativo. Expliquei o conceito do valor
negativo: uma mulher estaria cotada a esse valor quando um homem calculava
que soma estaria pronto a pagar para mandá-la para os quintos dos infernos.
Contudo, a pobre comediógrafa não via a justeza de minha descoberta,
enquanto eu, recordando a oscilação dos valores daquele dia sofrida por Carla e
por Augusta, apreciava devidamente a exatidão de minha teoria. Pena que o
vinho interviesse, quando quis explicar-me melhor, e desviei-me inteiramente do
tema.
— Veja só — disse-lhe —, admitindo que você tenha neste momento o valor
x, pelo simples fato de permitir que eu esfregue o meu pé contra o seu, seu valor
aumentará imediatamente pelo menos para dois x.
Acompanhei sem hesitar minhas palavras com o ato. Corada, surpresa,
retirou o pé e, querendo mostrar-se espirituosa, observou:
— Mas isto já é prática e não teoria. Vou chamar Augusta.
Devo confessar que eu também sentia aquele pezinho como algo bem
diverso de uma árida teoria, mas protestei gritando com o ar mais cândido do
mundo:
— É pura teoria, puríssima, e é engano da sua parte interpretar de outra
maneira.
As fantasias geradas pelo vinho são tão reais quanto os verdadeiros
acontecimentos.

A consciência de Zeno, Ítalo Svevo

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