LIBRAS

Por eu mesmo:
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ERA UMA VEZ UM FILHOTE CHAMADO LIBRAS.
Libras era bonitinho. Um filhote fofo.
Nasceu em meio a outros filhotes.
Havia chihuahuas, pinchers, dobermanns, hotweillers, pastores alemães e belgas. E havia Libras.
Desde pequeno, Libras adquiriu dois estranhos hábitos:
Apesar de ser um filhote grande, preferia a companhia –e os hábitos- dos cachorros pequenos. Vivia entre os chihuahuas e pinschers, sempre latindo para os outros filhotes grandes.
E, o mais curioso: vivia correndo em círculos, tentando morder o próprio rabo.
No início, todos achavam aquilo engraçado; quando Libras começava suas peripécias, todos riam muito e aplaudiam à moda dos cães, seja lá como os cães aplaudem.
Com o passar do tempo, os cães grandes foram se cansando; tanto dos recorrentes latidos quanto das corridas alucinadas e inúteis de Libras. Perspicazes, eles ainda o aconselharam:
– Libras, deixe de ser pateta. Se você continuar a se comportar como um chihuahua, vai acabar virando um.
E:
– Libras, deixe de ser pateta e pare de correr atrás do próprio rabo. Assim você se cansa e não chega a lugar algum.
Mas Libras era pouco permeável à sabedoria. Continuou andando com pinschers e chihuahuas, continuou latindo para os grandes e continuou perseguindo em vão o próprio rabo.
Alguns pinchers ouviram o conselho dado a Libras, e passaram a se comportar como os grandes; por incrível que pareça –se bem que isso é uma fábula e, nas fábulas, nada parece incrível-, acabaram se tornando dobermanns e pastores alemães.
Enquanto isso, Libras continuava latindo e correndo atrás do próprio rabo.
Obviamente, ele não chegou a lugar algum; os outros, por sua vez, cresceram, seguiram em frente, prosperaram -à moda dos cães- e foram cuidar da vida.
Libras continua o mesmo até hoje: cheio de manias de grandeza, latindo para cães muito maiores do que ele. Cães que não lhe dão a menor bola.
Pode ser que, um dia, Libras se canse, caia em si, perceba a insensatez do seu comportamento, pare de correr em círculos tentando morder o próprio rabo e comece a seguir em frente.
Pode ser que isso aconteça.
Sim, é possível.
Mas é muito pouco provável.

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A solução da Academia para a polêmica do Oscar

Deu na MarrecoPress:
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA:

Após a recente polêmica a respeito da ausência de atores negros entre os laureados com o Oscar, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas encontrou uma solução.
Inicialmente, cogitou-se em dividir as categorias, de modo a premiar com a cobiçada estatueta, por exemplo: o melhor ator branco; o melhor ator branco idoso; o melhor ator branco, gay; o melhor ator branco, idoso, gay; o melhor ator negro; o melhor ator gay; o melhor ator gay negro; o melhor ator gay, negro, manco da perna direita; o melhor ator gay, negro, manco da perna esquerda; a melhor atriz; a melhor atriz negra; a melhor atriz negra gay… e assim sucessivamente em todas as categorias, até o infinito e além.
Porém, percebeu-se que, assim como este post, a cerimônia de premiação duraria a noite inteira e se tornaria ainda mais aborrecida do que já é.
Diante deste dilema, chegou-se à uma brilhante solução.
Todos os atores, atrizes, coadjuvantes, roteiristas, diretores, etecétera, levarão para casa o precioso carequinha dourado.
Quer dizer: todos, menos os apoiadores de Trump.
Afinal, até a tolerância do politicamente correto tem limites.

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Zé do Caixão sai da tumba

Achei no Bol:

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O Zé antes: um morto-vivo…

Nesta segunda-feira (30), o pastor Erzon Aduviri, da Igreja Adventista, compartilhou fotos nas quais José Mojica, conhecido como Zé do Caixão, passa por uma conversão evangélica.

“Neste domingo, o Zé do Caixão, juntamente com a esposa, tomou a decisão pelo batismo na IASD Central Paulistana, no apelo do Pr. Luís Gonçalves. Louvado seja Deus!”, escreveu Erzon na postagem.
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… e o Zé depois: das trevas para a Luz. “se alguém está em Cristo, é nova criatura; todas as coisas já passaram; eis que tudo se fez novo”

(Obs.: pela entrevista a seguir, parece que a filha do Zé não está gostando muito da história. mas isso nunca foi novidade: muitas vezes a própria família não compreende a opção de uma pessoa por se entregar a Cristo)

Em entrevista ao site Ego, Liz Vamp, filha do famoso, contou que o pai vai ao local acompanhado da esposa, que é evangélica. “Eles eram casados, ficaram separados por 20 anos e voltaram quando ele estava doente. Meu pai vai com ela porque aquilo é importante para ela. Eu não gosto de igreja que se aproveita das pessoas, fico com o pé atrás, mas, enfim, ele está indo sim, está achando as pessoas legais e as pessoas estão tratando ele bem, é o que importa. Espero que eles sejam boas pessoas, acho legal ele acompanhar a esposa, mas queria deixar claro para os fãs que isso não vai afetar o trabalho dele”, esclareceu Vamp.

Artista alemão cria site para criticar selfies no Memorial do Holocausto

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Que nós vivemos a geração do selfie, todo mundo já está careca (eu, pelo menos, já estou beeem careca) de saber.

A falta de noção e de limite na busca pela selfie perfeita já levou idio… quer dizer, incautos a despencarem de precipícios e a serem destroçados por animais selvagens. A selfie é, atualmente, o esporte mais letal do planeta.

Mas o pessoal está perdendo também qualquer senso de decoro. De respeito.

Uma situação em particular estava incomodando o artista plástico israelense Shahak Shapira, radicado na Alemanha; a quantidade de babac… quer dizer, de pessoas desavisadas que tiravam selfies engraçadinhos e fofinhos no Memorial do Holocausto em Berlim destinados à nada saudosa e em tudo deplorável memória do Holocausto. Como alguém pode sorrir, em meio ao testemunho do Mal Absoluto?

Shapira, então, criou um site, o Yolocaust, no qual selecionou algumas fotos tiradas no local e publicadas em redes sociais como Facebook, Instagram, Tinder and Grindr; quando o usuário passa o mouse sobre a foto, ela passa a mostrar a pessoa retratada com um fundo de uma imagem dos tempos dos campos de concentração nazistas. Assim, uma garota pode surgir fazendo uma pose sorridente sobre uma pilha de cadáveres de judeus massacrados por Hitler. Sinistro.

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O nome do projeto, “Yolocaust”, é um jogo de palavras com “Holocausto” e “YOLO” acrônimo da expressão em língua inglesa “You Only Live Once” (“Você Só Vive Uma Vez”, em tradução livre).
Shapira deseja explorar “a nossa cultura de comemoração ao combinar selfies do Memorial do Holocausto em Berlim com imagens dos campos de extermínio nazi”. Ele lembra que aproximadamente dez mil pessoas visitam o Memorial aos Judeus Mortos da Europa todos os dias. “Muitas delas tiram fotos idiotas, pulam, andam de skate ou de bicicleta nos 2711 blocos de cimento” do local.
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Se um dos pate… quer dizer, se uma das pessoas retratadas entrar no site e se sentir incomodada, pode solicitar a retirada de sua foto através do email undouche.me@yolocaust.de (“Douche” significa “idiota”;”Undoucheme” é um neologismo que pode se traduzido como “desidiotize-me”).
Se você está entre elas, corre lá.
Ainda dá tempo de apagar essa vergonha da sua vida.

 

Um cara chamado Bill

Por eu mesmo:

 

Bill é um dos oito homens mais ricos do mundo. Sua fortuna gira em torno da bagatela de 75 bilhões de dólares.

Ele e os outros sete detém uma riqueza de 427 bilhões de dólares, o mesmo valor que possuem as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres do planeta.

Bill fundou sua empresa aos 19 anos. E ficou bilionário criando um sistema utilizado, literalmente, por todo mundo.

Até onde se sabe, Bill não roubou, matou, sequestrou ou sonegou para juntar sua fortuna.

Em 2010, Bill atingiu a marca de 37 bilhões de dólares em doações através da fundação Bill & Melinda Gates.

Sim, você leu certo: Bill, dono de 75 bilhões de dólares, já doou 37. Quase a metade.

Quando morrer, Bill deixará “apenas” 10 milhões de dólares para cada um dos três filhos e doará o resto da grana.

Nos próximos 10 anos, Bill doará 10 bilhões de dólares em vacinas. Com isso, espera salvar a vida de 8 milhões de crianças de menos de 5 anos de idade. A propósito, ele já salvou a vida de 5 milhões de pessoas.

Bill já fez mais pela humanidade do que qualquer governo de qualquer país. Socialista ou capitalista.

Bill não é o culpado pela pobreza das 3,6 bilhões de pessoas do “andar de baixo”. Mas ele se esforça um bocado para melhorar a vida delas.

Mais do que qualquer governo de qualquer país.

Capitalista ou socialista.

Eu quero que Bill viva uns duzentos ou trezentos anos.

E que ganhe mais um novecentos bilhões de dólares.

Manda bala, Bill.

Way to go.

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Crash Church: a igreja que passa a palavra de Deus ao som de Heavy Metal

Depois da Bola de Neve (igreja de surfistas) e do polêmico Machine Gun Preacher (Sam Childers, o Pastor Metralhadora), conheça a Crash Church, uma igreja de metaleiros. Achei no Bol:

 

É dentro de uma garagem de São Paulo que soam os primeiros acordes de Heavy Metal. A letra fala de Jesus Cristo e de salvação e seu palco é a Crash Church, uma igreja evangélica frequentada pelos fãs do rock que buscam a palavra de Deus através da música.

Como em um show de rock pesado, os fiéis usam roupas escuras e sacodem fortemente a cabeça quando o baixo e a bateria começam a soar em uma sala pintada de preto e decorada com tribais brancos.

Depois de várias canções, as pessoas, algumas com camisetas do Metallica e do Joy Division, se acalmam e o pastor Batista começa o culto. Ao contrário da maioria dos ministros evangélicos, ele não usa terno e gravata, mas calça jeans e um tênis branco e vermelho.

As tatuagens – todas com referências cristãs – cobrem seus braços, brincos adornam suas orelhas e na barba ele exibe uma trança acinzentada de 4 centímetros.

Além de pastor, Batista é vocalista da banda cristão de death metal Antidemon e um dos fundadores desta igreja “não convencional” criada em 1998 por “necessidade divina”.

“Isto faz parte de um plano de Deus para superar barreiras de formatos mais fechados e que deixavam de alcançar muitas vertentes da sociedade”, disse Batista, em referência a outras correntes mais conservadoras, como a poderosa Igreja Universal do Reino de Deus e a Assembleia de Deus.

Maria Aparecida Castellini, de 54 anos, tem sete filhos e três são membros de igrejas evangélicas tradicionais que não “toleram” sua estética punk: cabelo verde, unhas pintadas, batom azul e roupas rasgadas que possibilitam ver algumas partes de sua pele.

Ela se declara “louca” por Jesus e pelo rock, mas não é por isso que vai “para um hospício”, como foi aconselhada na Renascer em Cristo, sua antiga igreja.

“Diziam que o rock era pecado, que era coisa do demônio. E eu perguntava: ‘Deus, será que estou no lugar certo?'”, lembrou ela, que diz andar até duas horas para assistir ao culto da Crash Church.

Atrás de um púlpito com ares medievais, o pastor Batista lê o evangelho, enquanto os fiéis o acompanham em seus telefones celulares, na bíblia de papel ou através de televisores onde as passagens são reproduzidas.

Batista usa jargões para explicar a palavra do Senhor e intercala as leituras com músicas de rock, que, apesar da intensidade, não acordam dois bebês de poucos meses que dormem nos braços das mães, nem abalam uma senhora de uns 80 anos que escuta impávida o som.

Em um de seus discursos, o pastor compara a história de Jesus com a da igreja e enfatiza que, apesar do preconceito, eles também são “de Deus”.

“As pessoas não esperam uma Igreja como nós. Não esperam que com esse estereótipo sejam pessoas de Deus. Jesus não parecia o Messias, assim como nós não parecemos evangélicos. Em várias partes do mundo estão nascendo movimentos como esses, igrejas e pessoas se abrindo para levar Jesus de todas as maneiras, uma maneira que se possa entender”, assegurou.

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Batista, o pastor metal

PAI EM DOBRO

Minha singela homenagem aos caras que, de repente, precisam se virar nos trinta. Ou em dois, para ser mais exato. Como se ser pai já não fosse difícil o suficiente…

 

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Começando com o básico: são precisos dois indivíduos, biologicamente maduros, macho e fêmea, para que uma nova vida seja gerada. Desde o tempo em que morar em condomínio fechado era colocar uma pedra na entrada da caverna até recentemente, o homem, na condição de patriarca da família, exercia o papel de provedor e protetor. À mãe cabia cuidar da casa (ou da caverna) e da prole.

Naqueles tempos o pai era aquele sujeito grande, forte, másculo, autoritário, e às vezes feroz; e a mãe, gentil, carinhosa, cuidadosa. E, claro, às vezes, feroz.

Porém a vida nem sempre segue o roteiro, e eventualmente o homem, seja por uma trágica perda ou por uma indesejada separação, se vê às voltas com uma jornada dupla. Vê-se na contingência de exercer o duplo papel de pai e mãe. Situação geralmente súbita, inesperada, na qual o pai precisa descobrir dentro de si a capacidade de ser forte apesar da tragédia, de ser firme apesar do afeto, de ser terno a despeito da dor. Além do alimento, agora terá de prover o consolo. Além do abrigo, o abraço. Além de pai, tem de ser amigo. Para isso, deverá esquecer de si mesmo, passar sobre a própria dor. Terá de encontrar, nas profundezas do seu despreparado coração masculino, alguma coisa da doçura feminina.

Para os que acreditam, o amor de mãe é o único sentimento comparável ao amor divino.

O que dizer então do amor do pai que também é mãe?

O pai que também é mãe tem trabalho em dobro.

Tem preocupação em dobro.

Tem angústias e temores em dobro.

Não recebe amor em dobro, pois isso não é possível.

Porém se desdobra para amar em dobro.

O pai que também é mãe é, portanto, pai em dobro.