Então é Natal

Por eu mesmo:

 

Um dia o Pai olhou

E viu do alto os seus;

Tristes, Perdidos e sós.

Então disse o Filho:

“Eu vou”;

E desceu e habitou entre nós.

Então um Menino nos nasceu

E Nele vimos a Graça de Deus.

O Eterno habitou o Tempo.

O Etéreo se fez matéria.

O Princípio desceu ao Fim

E de novo subiu aos céus

Para mostrar o caminho

Para mim.

Para nós.

O Filho nasceu entre os homens

Para fazer deles irmãos.

Então brilhou nas trevas

a Luz;

Então,

Celebremos

JESUS.

NATAL

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Jingle Bell

Por eu mesmo:

caravaggio

Caravaggio e o nascimento do Messias

A tarde chegava ao fim; o sol já se escondera totalmente atrás das colinas, seus últimos raios lutando em vão contra a densa escuridão da noite que se avizinhava. O frio caía lentamente sobre eles, como a noite caía sobre o mundo dos homens. Rapidamente, enquanto ainda havia luz, ajuntaram o rebanho no redil, acenderam a fogueira e prepararam sua refeição. Conversaram sobre as agruras do dia, sobre o preço do pão, sobre as constantes altercações com os pastores de gado, sobre o pesado jugo que os romanos colocavam sobre seus ombros, sobre os profetas e as suas promessas que os faziam prosseguir, que lhes enchiam de esperança. Conversaram por algum tempo, alimentaram o fogo o suficiente para que atravessasse a noite aceso e assim os mantivesse aquecidos e foram dormir, as tarefas do dia seguinte já ocupando seus pensamentos.

Aquela era uma noite como tantas outras, um dia como qualquer dia, com seus problemas, suas pequenas alegrias, suas obrigações impostergáveis, suas modestas ambições, seus planos para o futuro, seus sonhos. Amanhã, acordariam para outro dia também como outro qualquer, e assim a vida se sucederia como tem que ser, até que viesse o fim.

Porém, aqueles pastores não sabiam, mas estava determinado desde o início que, não, aquela não seria apenas mais uma noite; sim, estava determinado que os dias a partir daquele dia nunca mais seriam os mesmos; que a própria vida nunca mais, nunca mais!, seria a mesma!

Encolhidos para melhor se aquecerem, os pastores dormiam o sono pesado e sem sonhos daqueles que se consomem na dura labuta diária. O fogo ainda crepitava alto; mas o clarão que os acordou repentinamente não provinha da fogueira. Assustados, olharam para o céu, resplandescente com um intenso brilho que ofuscava as estrelas. E o terror aumentou quando viram um anjo descendo dos céus em sua direção; o ser celestial, entretanto, falou-lhes, e aquela voz, suave como o fluir de calmas correntes de águas, mansa como o cicio do vento nas folhas das árvores, penetrou fundo em seus corações. Não temais, disse o anjo; porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo.

Os pastores entreolharam-se, maravilhados e curiosos. O que poderia ser assim tão importante, tão urgente a ponto de que o Altíssimo, o Eterno, o Deus Três Vezes Santo se dignasse enviar um integrante das miríades celestiais ao mundo dos homens para anunciar? O que poderia trazer “grande alegria que será para todo o povo”? O anjo prosseguiu; Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Então era isso!? Seria possível?! Estariam sonhando? Não, não era sonho, pois todos eles estavam contemplando a portentosa aparição! Sim, era possível, era verdade, e era maravilhoso! Eles, simples pastores, pobres, tantas vezes desprezados pastores, estavam contemplando com seus próprios olhos, e eram os primeiros, e ouvindo com seus próprios ouvidos -e eram os primeiros!- a notícia mais importante, a crucial anunciação do surgimento do tão ansiado Messias, do desejado Libertador, do Salvador! Eles, meros pastores, eram testemunhas do momento mais importante da História, estavam presenciando o evento que mudaria definitivamente a História! O anjo acrescentou que eles encontrariam o menino envolto em panos, deitado numa manjedoura; imediatamente, surgiu no céu uma miríade dos exércitos celestiais, louvando a DEUS, o Misericordioso, e dizendo:

Glória a DEUS nas alturas, e Paz na terra aos homens, a quem DEUS quer bem!

Depois de cantar estes versos numa voz inaudita, o coral celestial desapareceu. Os pastores decidiram seguir para Belém, onde, segundo as profecias, o Advento do Messias deveria acontecer. Mas agora eles tinham certeza; depois deste dia, suas vidas nunca mais seriam as mesmas, pois, naquele dia, eles souberam:

NASCEU JESUS, O SALVADOR!!!

E, por também saber disso; porque Jesus um dia me foi anunciado, e porque um dia ele transformou completamente a minha vida, e por tê-lo como meu Salvador e Senhor, junto-me aos anjos para declarar:

Glória a DEUS nas alturas, e Paz na terra aos homens, a quem DEUS quer bem!

FRAGMENTOS

Extraído de “Um Cântico de Natal”, de Charles Dickens:

“‘E então’, disse Scrooge, tão cáustico e frio como sempre. ‘O que você quer de mim?’

‘Muito mais!’, era a voz de Marley, sem dúvida alguma disso.

‘Quem é você.’

‘Pergunte-me quem eu fui.’

‘Quem você foi, então’, disse Scrooge, elevando o tom da voz. ‘Espírito, você foi alguém em particular?’ Ele ia dizer ‘aparição’, mas achou mais apropriado substituir o termo.

‘Quando vivo eu foi o seu sócio, Jacob Marley’.

‘Você pode… você pode se sentar?’, perguntou Scrooge, olhando cheio de desconfiança para ele.

‘Sim, eu posso’.

‘Então, sente-se’.

Scrooge perguntou isso, pois não sabia se um fantasma tão transparente pudesse se encontrar na condição de se sentar; e sentiu que se tal fato fosse impossível, talvez envolvesse a necessidade de uma explicação embaraçosa. No entanto, o fantasma se sentou no lado oposto da lareira, como ele costumava fazer sempre.

‘Você não acredita em mim’, notou o fantasma.

‘Não, não acredito’, disse Scrooge.

‘Qual evidência sobre a minha realidade você precisa além daquela percebida pelos seus sentidos?’

‘Eu não sei’, disse Scrooge.

‘Porque você duvida dos seus sentidos?’

‘Porque’, disse Scrooge, ‘qualquer coisa pode afetá-los. Uma leve desordem estomacal pode nos fazer imaginar coisas. Você pode muito bem ser um pedaço de carne mal digerida, um pouco de mostarda ou de queijo, ou um pedaço de batata mal preparada. Nisto tudo, há mais de gordura de cozido do que de algo do outro mundo, seja lá o que você for!’

Scrooge não tinha muito o hábito de fazer piada, nem sentia necessidade disso, em seu coração, por mais que parecesse isso. A verdade é que ele estava tentando parecer esperto como um meio de distrair sua própria atenção e diminuir o seu terror, pois a voz do espectro perturbava-o até a raiz de seus cabelos.

Sentar-se, encarando aqueles olhos fixos e vidrados, em silêncio, mesmo que por um momento, fazia com que Scrooge se sentisse como se jogasse dados com ele. Havia algo de muito terrível também no fato do espectro apresentar uma atmosfera infernal em sua aparência. Scrooge não podia senti-lo, mas era exatamente esse o caso, pois embora o Fantasma estivesse sentado completamente imóvel, os cabelos, vestes e franjas se agitavam como se movidas pelo vapor aquecido de um fogão.

‘Você vê este palito de dente?’, disse Scrooge, retornando rapidamente para o assunto, pois a razão assim o exigia; e desejando, mesmo que somente por um segundo, desviar a atenção da assombração de si mesmo.

‘Sim, eu o vejo’, respondeu o fantasma.

‘Você nem mesmo está olhando para ele’, disse Scrooge.

‘Mas eu o vejo’, disse o Fantasma, ‘mesmo assim’.

‘Bem!’, retrucou Scrooge, ‘eu prefiro engoli-lo, e ser perseguido pelo resto dos meus dias por uma legião de demônios, de toda minha própria criação. Embusteiro, eu lhe digo; embusteiro!’.

Então o espírito soltou um grito aterrorizante e sacudiu as suas correntes com um barulho tão pavoroso e triste, que Scrooge se encolheu todo em sua cadeira, tentando evitar desmaiar. Mas o seu temor foi ainda maior quando o fantasma soltou o lenço que este tinha em torno de sua cabeça, como se estivesse muito quente dentro de casa, deixando seu queixo cair até a altura de seu peito!

Scrooge deixou-se cair sobre os seus joelhos e escondeu o seu roto com as suas mãos.

‘Misericórdia!’, ele disse. ‘Terrível aparição, por que você me aterroriza?’

‘Homem que só pensa nas coisas terrenas!’, respondeu o Fantasma, ‘você acredita em mim ou não?’

‘Eu acredito’, disse Scrooge. ‘Eu devo acreditar. Mas por que os espíritos caminham sobre a terra e por que eles veem até mim?'”

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